Azuaite Martins de França
O recente post racista de Donald Trump na rede social da Casa Branca não é um deslize retórico nem um excesso isolado. É a expressão de uma visão de mundo excludente, autoritária e profundamente discriminatória. Diante de manifestações dessa natureza, não há espaço para neutralidade: o racismo deve ser combatido, venha de onde vier.
Toda tentativa de relativizar atitudes racistas revela mais do que complacência. Revela identidade. Quem minimiza o racismo pensa e age como o racista. O antigo ditado latino similis simili gaudet, ou “os semelhantes se aproximam dos semelhantes”, ajuda a compreender o fenômeno: quem defende racistas e atos racistas compartilha da mesma lógica de opressão, ainda que tente escondê-la sob discursos de tolerância seletiva.
Discriminar pessoas pela cor da pele é negar a própria condição humana. Não se trata de opinião, mas de opressão. Todas as pessoas são iguais em dignidade e direitos, e qualquer hierarquização baseada em raça ou etnia serve apenas para preservar privilégios históricos e manter desigualdades estruturais.
Nesse contexto, no Brasil merece registro positivo a recente derrubada da lei de Santa Catarina que atacava o regime de cotas na educação. A decisão reafirma que políticas afirmativas não são concessões ideológicas, mas instrumentos necessários para corrigir desigualdades profundas e persistentes.
O geógrafo e intelectual Milton Santos, um dos maiores pensadores brasileiros, foi incisivo ao analisar essa realidade. Para ele, a escravidão não terminou com a abolição formal, pois seus efeitos permanecem vivos na desigualdade social, na exclusão e na negação sistemática de oportunidades à população negra. O passado colonial e escravocrata moldou estruturas que seguem operando no presente.
Combater o racismo é enfrentar essas estruturas, não fingir que elas não existem. O silêncio, a relativização e a conivência também são formas de violência. Diante do racismo, não basta discordar: é preciso posicionar-se. A democracia, a justiça social e a educação só sobrevivem quando a igualdade deixa de ser retórica e passa a ser prática cotidiana.








