Pacientes atendidos pela Santa Casa de São Carlos e que precisam de internação estão sendo atendidos em macas nos corredores do Hospital. Segundo informações de um médico plantonista que se identificou apenas como “Dr. Vinicius” não havia leitos disponíveis e a situação vem se arrastando há semanas.
A crise se agravou na quarta-feira à noite. Familiares de alguns pacientes entraram em desespero com a situação. Os corredores estavam lotados de macas e as salas de recuperação ficaram superlotadas. Na recepção, sala estava cheia de pessoas à espera de atendimento. Alguns pacientes alegavam ter aguardado horas para serem atendidos.
O paciente A. M. M. R., 40, foi internado0 na tarde de quarta-feira (30) com inflamação grave nas amídalas. Foram feitos nele procedimento de pulsões para extração de líquido. Porém, como não havia quartos do sistema SUS disponível, A. foi colocado em um dos corredores do pronto-atendimento. “Chegamos à Santa Casa às 13h30, ficamos lá até ás 16h30m quando falaram que não havia quarto para acomodar meu irmão. Ele ficou no corredor ao lado de mais duas pessoas na maca”, disse Sandra Helena Ramos, 42.
Na noite de quarta-feira (30), segundo Sandra, havia mais de 20 pessoas em macas, além de diversas esperando atendimento. “É uma vergonha não ter lugar para colocar as pessoas”, disse Sandra.
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O repórter Jeferson Vieira gravou o vídeo, antes de ser retirado pelos seguranças da Santa Casa.
“In loco” – Na manhã de quinta, sem se identificar, a equipe do Jornal Primeira Página entrou na Santa Casa e constatou que quatro pessoas estavam em macas pelo corredor do atendimento de urgência. Uma senhora, com dores, estava em uma maca gritando por atendimento. A reportagem flagrou o momento em um vídeo que pode ser visto no portal do jornal: www.jornalpp.com.br.
As salas de recuperação - local onde pacientes aguardam em observação - estão servindo para acomodar as pessoas que precisam de internação. Em um pequeno quarto havia nove pessoas. Sandra Helena Ramos, irmão do paciente A. M. M. R., 40, afirmou a situação das salas de recuperação estava pior do que os corredores. “Meu irmão foi levado para esta sala, mas depois de um tempo ele me chamou e pediu para sair de lá. Precisamos falar com a enfermeira chefe. Só depois ele conseguiu voltar para o corredor. Ficar no corredor está melhor do que na sala”, contou Sandra.
Hospital Escola – Na noite de quarta-feira (30) o médico plantonista da Santa Casa, que se identificou como Dr. Vinicius, disse que a superlotação se dá por causa dos encaminhamentos do Hospital Escola à Santa Casa e que nem no HE tinha leitos disponíveis.
Pacientes do Hospital Escola alegam que a espera pelo atendimento chega a duas horas. Segundo o aposentado Arnaldo Barroso, ele foi atendimento no Hospital Escola após 2h30 de espera. “A gente vem aqui doente, com dores, precisando de atendimento e tem que ficar esperando”, reclamou.
Para a dona-de-casa, Maria de Fátima a demora causa angústia nos pacientes. “Cheguei aqui há 1h30 e ainda me mandaram esperar mais um pouco. Isso gera angústia na gente que quer o atendimento”, conta.
Consultas – Outro problema enfrentado é o agendamento de consultas nas Unidades Básicas de Saúde. A reportagem sem se identificar, tentou marcar consulta com clínico geral em três Unidades Básicas de Saúde (UBS), da Redenção, Botafogo e Vila São José. Nas três unidades, a informação é que podem ser marcadas consultas apenas para a segunda quinzena de janeiro. Na UBS da Redenção, a atendente solicitou o retorno depois do dia 15 de dezembro, uma vez que as agendas dos médicos para 2012 ainda não haviam sido entregues.
OUTRO LADO – A Prefeitura São Carlos emitiu a seguinte nota: “Nas UBS’s da Redenção, Botafogo e Vila São José onde o repórter Jeferson Vieira se passou por paciente para tentar um agendamento eletivo com um clínico geral entre 12h40 e 13h30, a coordenação das unidades informa que em função do solicitante não ter se submetido a avaliação de risco, deixou a equipe sem referência para definir se o atendimento deveria ser imediato ou não.
Se o solicitante tivesse se submetido à avaliação de risco e fosse constatada a urgência no atendimento, a Secretaria Municipal de Saúde teria providenciado o atendimento imediato em umas das unidades de Urgência e Emergência do Município. Algumas Unidades de Saúde têm agendamento eletivo – consulta sem urgência – para os 3 últimos dias deste mês.
No Hospital-Escola o paciente também passa pela avaliação de risco, isto é, o paciente é acolhido por uma equipe de enfermagem que faz a classificação, padronizada, do problema: paciente identificado com cor vermelha – emergência, encaminhar diretamente para a sala de ressuscitação; cor amarela – risco elevado de morte, avaliação em no máximo 30 minutos, encaminhar para consulta médica imediata; cor verde – sem risco de morte, encaminhar para consulta médica com avaliação em no máximo 2 horas; e cor azul – sem risco de morte, avaliação em no máximo 24h, encaminhar para consulta médica com reavaliação periódica.