Segunda-feira, 22 Dezembro 2014  03:09:19

Venda de carros usados está cada vez menor

  • Escrito por  Paola Mastrofrancisco

O mercado de carros usados está em baixa. Dados do Departamento Nacional de Trânsito indicam que em 2000, 9% da frota brasileira de automóveis tinham mais de 20 anos. Em 2012, esse índice caiu pela metade, atingindo os 4%. Aqueles que se sustentam através da compra e venda deste tipo de veículo não exitam ao responder: a situação está difícil.

De acordo com Mario Alves Filho, dono de uma concessionária de veículos usados, até agora, o começo de ano está complicado. Há 10 anos trabalhando no ramo, ele afirma que o movimento está fraco e que, inclusive, teve que demitir funcionários. “ Se a tendência for continuar assim, terei que mandar mais gente embora. Com essa atitude de o governo restringir o crédito, fica mais difícil. Antigamente as pessoas conseguiam 100% de financiamento. Hoje, alguns bancos nem sequer financiam carros com 10 anos de uso e, por isso, houve queda nas vendas. Além disso, os critérios na avaliação de quem recebe o dinheiro também estão mais rídigos”, opina.

Segundo o economista Jônatas Rodrigues da Silva a inadimplência é o principal fator para que o Banco Central esteja colocando maiores entraves aos financiamentos. “Hoje se exige uma entrada que varia de 20% a 40% do valor do veículo, antes era possível financiar 100%. Quanto maior o prazo do financiamento, maior a entrada exigida pelo Banco Central. O banco que concede o empréstimo deve possuir maior lastro, para se evitar uma bolha no setor. Por isso, ele faz maiores exigências como estabilidade no emprego, casa própria e determinada faixa de renda. Além disso, os juros ficaram maiores também. O que antes era 1,5%, na média, subiu para 2% ou mesmo 2,5%”, explica.

Segundo ele, a grande maioria dos pedidos tem sido recusada pelas financeiras, número que gira em torno de 70%. Outro fator que influencia o mercado de usados é a procura por carros novos, que são mais modernos, mais fáceis de serem financiados e com taxas de juros menores. “Somente no início deste ano as vendas destes veículos cresceram 10%. Acredito que o fator preponderante do consumidor querer um carro zero e não o usado é realmente o prestígio, o status proporcionado quando se compra um carro novo. Em termos econômicos, é mais barato um carro usado, com um ano de uso, por exemplo, do que um carro novo. Além disso, o carro zero tem uma grande desvalorização em seu primeiro ano de uso, fora as taxas do Detran que devem ser pagas. Um veículo perde aproximadamente 20% de seu valor no primeiro ano”, ressalta Silva.

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