Domingo, 22 Julho 2018  21:42:19

Na mesma decisão, cinco investigados na operação foram soltos

  • Escrito por  Por Camila Maciel/Agência Brasil

A Justiça Federal em São Paulo determinou a prisão preventiva, que tem prazo indeterminado, de Laurence Casagrande Lourenço, ex-diretor presidente da Dersa, empresa do governo estadual que atua na construção de rodovias, e de Pedro da Silva, ex-diretor da companhia. Eles estavam presos temporariamente desde o dia 21 de junho no curso da Operação Pedra no Caminho da Polícia Federal, que investiga desvio de R$ 600 milhões na construção do trecho norte do Rodoanel, em São Paulo.

Na mesma decisão, a juíza titular da 5ª Vara Criminal de São Paulo, Maria Isabel do Prado, determinou que fossem soltos cinco investigados: Pedro Paulo Dantas Amaral, gestor do empreendimento Rodoanel Trecho Norte; Benedito Aparecido Trida, engenheiro fiscal da Construtora OAS; Adriano Francisco Trassi, engenheiro fiscal da Acciona Infraestruturas; Edison Mineiro Ferreira dos Santos, engenheiro fiscal do Consórcio Mendes Júnior-Isolux Corsan; e Valdir dos Santos Paula, que não pertence a nenhuma das empreiteiras, mas atuou, segundo as investigações, na movimentação de dinheiro nas contas das empresas SCJ Agropecuária e Stars Bar.

Entre as justificativas expostas pela juíza para a conversão da prisão temporária de Laurence Lourenço e Pedro da Silva em preventiva está o fato de que os investigados não se afastaram de cargos e funções públicas, “sendo Laurence, até o dia do cumprimento das medidas, presidente da Companhia Energética de São Paulo”. Ela coloca ainda o risco de destruição de provas, coação de testemunhas, obstrução das investigações, alienação de bens originadas na atividade ilícita, além da prática de outros delitos.

Para os demais investigados, a decisão determina, entre outras medidas, o comparecimento mensal em juízo, proibição de frequentar endereços da Dersa, proibição de contato com qualquer funcionário ou ex-funcionário da estatal, proibição de deixar o país, suspensão das funções públicas e atividades de natureza econômica que tenham relação com as obras do Rodoanel Norte ou qualquer outra que envolva recursos públicos.

Operação

A investigação que resultou na Operação Pedra no Caminho teve início em 2016 com a instauração de um inquérito a partir da denúncia de um ex-gerente de uma empreiteira. Ele não concordava com os desvios de dinheiro e foi exonerado do cargo. A obra era dividida em seis lotes, sendo que as fraudes eram mais evidentes no lote sob responsabilidade da Construtora OAS. Outras construtoras suspeitas de irregularidades são Isolux Corsán, Acciona Infraestruturas e Construcap.

 

De acordo com o Ministério Público Federal, as fraudes, que envolveram desvios e superfaturamento, estão relacionados a um convênio firmado entre a estatal estadual e a União no valor de R$ 6,4 bilhões. A procuradoria estima que os desvios chegaram a R$ 600 milhões.

Em nota, a Dersa informou que a empresa e o governo de São Paulo são os maiores interessados no andamento do processo. “Havendo qualquer eventual prejuízo ao erário público, o Estado adotará as medidas cabíveis, como já agiu em outras ocasiões”, disse a empresa.

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