Domingo, 14 Outubro 2018  23:22:36

Reta final da campanha tem crescente apelo por voto útil

  • Escrito por  Redação Reuters

O país chega à reta final da campanha para o primeiro turno das eleições, quando parcela considerável da população define em quem votar, e, em meio a crescentes apelos pelo voto útil, as pesquisas serão acompanhadas de perto.

O cientista político e coordenador do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisa sobre a democracia (Cebradi), Geraldo Tadeu Monteiro, explica que é usual parte do eleitorado deixar sua decisão de voto para a última hora, e diante do disputado quadro eleitoral, o voto útil terá seu peso.

“A gente sabe que quantitativamente cerca de 23 por cento das pessoas decidem o seu voto na última semana. Sendo que 15 por cento, no final de semana, ou seja, no sábado ou no domingo. Isso é tradicional”, disse Monteiro à Reuters

“Então neste ano, como é uma disputa mais acirrada, você não tem nenhum candidato sobrando com um número muito grande de votos, a expectativa é que o voto útil seja decisivo, sim”, argumentou.

Soma-se a esse dado informação divulgada na última quarta-feira pela pesquisa CNI/Ibope, segundo a qual 28 por cento —cerca de três em cada 10 eleitores— admitiram que mudariam seu voto para evitar que um candidato indesejado saia vitorioso.

Além disso, a sondagem apontou que os eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) e de Fernando Haddad (PT) são os mais decididos —55 por cento dos entrevistados que declararam voto em Bolsonaro classificam sua decisão como definitiva, sem chance de mudança, enquanto entre os que declaram voto em Haddad, a parcela dos que não mudarão “de jeito nenhum” seu voto é de 49 por cento.

Já pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira aponta que 66 por cento dos entrevistados se declararam totalmente decididos sobre sua escolha. Resta saber como se comportará a parcela restante.

“Quando a gente faz a análise da estrutura de voto de cada candidato a gente vê que com exceção dos dois candidatos que estão na frente das pesquisas, o Bolsonaro e o Haddad, todos os demais candidatos têm o voto ainda pouco consolidado”, disse o cientista político.

VOTE EM MIM

Não à toa, campanhas investem seus últimos esforços no voto útil. Bolsonaro tenta canalizar o voto antipetista, colocando-se como a única candidatura competitiva capaz de impedir um novo governo do Partido dos Trabalhadores. O discurso, aliás, pede o voto do eleitor anti-PT de forma a liquidar a disputa ainda no primeiro turno.

A campanha do tucano Geraldo Alckmin já havia começado a modular sua estratégia para o voto útil desde o atentado a faca contra Bolsonaro, relata o cientista política Creomar de Souza, da Universidade Católica de Brasília, tentando colar em si a imagem do candidato com chances efetivas de derrotar o PT.

Essa estratégia foi reforçada nos últimos programas e inserções no rádio e na TV.

Haddad, por sua vez, encarna a antítese do candidato do PSL, e pode faturar em cima do movimento anti-Bolsonaro, já que figura como o segundo colocado nas pesquisas.

“Surgiu essa narrativa de construir essa ideia do voto útil: O voto antipetista ou o voto antibolsonarista”, explicou Souza.

 

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