Sábado, 23 Setembro 2017  21:43:20

Hepatite C mata mais que Aids

  • Escrito por  Paola Mastrofrancisco

Pesquisa do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos constatou que, de 1999 a 2007, o número de mortes por Aids foi caindo, enquanto o de hepatite C aumentava, a ponto de superá-lo. No Brasil, a situação é similar. Dados do Ministério da Saúde apontam que em 2011 a estimativa era de cerca de 630 mil os portadores de HIV, enquanto os de hepatite C superavam os dois milhões no país.

De acordo com o médico infectologista Dr. Paulo Roberto Ferreira, a hepatite é caracterizada por uma inflamação do fígado. O vírus causador da hepatite C é contraído principalmente ao se ter contato com o sangue contaminado. “Transfusões de sangue, injeção compartilhada de drogas e acidentes profissionais são considerados situações de risco. O vírus também pode ser contraído em manicures, ao se fazer piercing e tatuagem com especialistas que não esterilizam o material e ao ter relações sexuais sem o uso preservativo”, explica.

Segundo ele, quando o vírus entra no organismo, as defesas de 15% a 20% das pessoas o eliminam. No entanto, quando esse processo não ocorre, o agente se aloja no fígado do paciente. Apesar de o organismo tentar eliminá-lo, ele não consegue e essa “briga” gera inflamação e fibrose (cicatrizes). “Isso às vezes ocorre durante anos e o portador não sente nada. Com o passar do tempo, pode causar insuficiência hepática e câncer no fígado. Os sintomas, quando há cirrose, são: aumento do volume do abdome, inchaço nas pernas e pés, sangramento digestivo, alterações mentais, coma e até óbito”, esclarece o Dr.Ferreira.

A recomendação do infectologista para evitar a contaminação pelo vírus é adotar algumas medidas básicas como o uso de seringas descartáveis; ao freqüentar manicures ou fazer tatuagens e piercings, exigir do profissional materiais descartáveis e esterilizados corretamente e o uso de preservativo durante as relações sexuais.

Aqueles que suspeitem ter a doença devem se dirigir a um Posto de Saúde e fazer exame de sangue, gratuito através do SUS. Atualmente, o tratamento de hepatite C no país é feito com remédios fornecidos pelo Ministério da Saúde, que curam cerca de 40% dos doentes. “Em breve estarão disponíveis no SUS dois novos remédios que neutralizam a ação de uma substância necessária para que o vírus se multiplique. Administrados junto com os remédios já fornecidos, eles elevam a chance de cura a 75% dos casos, porém aumentam os efeitos colaterais são indicadas somente para o tipo 1 do vírus C. Por isso, a importância de se prevenir a hepatite C, saber se é portador e seguir à risca o tratamento”, finaliza o médico.

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