Sábado, 23 Setembro 2017  20:18:01

Médicos temem ‘debandada’ por falta de pagamento

  • Escrito por  Fabio Taconelli
O médico João Carlos Comar: “Para esses colegas, está muito difícil suportar o terceiro mês sem receber salário” O médico João Carlos Comar: “Para esses colegas, está muito difícil suportar o terceiro mês sem receber salário” (Foto: Fabio Taconelli)

Os médicos João Oscar Comar, da UTI Infantil, e José Carlos Bonjorno, das UTIs Adulto e Coronariana da Santa Casa, conversaram com o Primeira Página sobre a situação dos médicos plantonistas. Sem receberem há três meses, os profissionais temem a perda de colegas para outros hospitais.

Na UTI Infantil e Neonatal, seis plantonistas tocam a unidade 24 horas por dia, segundo Comar. Alguns profissionais dependem exclusivamente da renda da Santa Casa. “Para esses colegas, está muito difícil suportar o terceiro mês sem receber salário. Isso gera um impacto enorme no Orçamento deles”, afirma.

Comar enfatiza que o número ideal de médicos para trabalharem na UTI é de 10 profissionais e relata a dificuldade em encontrar médicos qualificados para a função. “Temos de ter muita qualidade para não colocarmos em risco os pacientes”, resume. “O nosso medo é que alguns médicos vão para outras cidades por conta dessa instabilidade. Isso comprometerá os serviços”, complementa.

Para suprir a falta de profissionais, Comar relatou um drama pessoal. Durante oito meses, permaneceu durante todos os finais de semana de plantão. A UTI Infantil possui 13 leitos. “Às vezes todos estão ocupados”, frisa Comar. “Ninguém trabalha sem salário. Temos dificuldades em controlar todos os médicos. Fazemos reuniões semanais para tentarmos manter os serviços, apesar dos atrasos”.

Adulto e Coronariana

José Carlos Bonjorno, que coordena as UTIs Adulto e Coronariana, relata drama semelhante ao de Comar. Os plantões dos médicos não são pagos desde dezembro e a Santa Casa remediava a questão com readequações orçamentárias, mas hoje não encontra mais capacidade financeira.

No dia 28 de março, na Vara da Fazenda Pública haverá uma reunião entre Prefeitura e Santa Casa para discutir o extrateto. A administração reconhece uma dívida de R$ 5 milhões; o hospital argumenta R$ 12 milhões. “Os plantonistas das UTIs são especialistas. E temos dificuldades em encontrar um corpo clínico homogêneo e com o número ideal para os atendimentos. Nos últimos anos, conseguimos um grupo especializado para trabalhar. Conseguimos especialistas que trabalham só em UTI, cardiologista, clínicos gerais e que vivem exclusivamente desse trabalho. Com esse atraso, os médicos estão em situação de angústia, com várias dificuldades e são médicos especialistas que não podemos perder”, desabafa.

Bonjorno comenta que a falta de pagamento inviabiliza a vinda de médicos para São Carlos. “É combustível, pedágio, gastos pessoais e os médicos estão sem receber”.

Nas UTIs Adulto e Coronariana são mais de 20 médicos sem receber. “Os pacientes que entram numa UTI são graves e precisam ter qualidade homogênea de atendimento”.

Bonjorno enxerga boa vontade da Santa Casa e da Prefeitura em resolver esse problema. Ele relata a promessa da Mesa Diretora em não atrasar os pagamentos a partir de março.

“Nós atendemos a uma população de 400 mil habitantes. São pacientes muito graves, com infarto, com derrame... É um atendimento que não vemos em hospitais de primeira qualidade. O corpo clínico está empenhado em resolver as carências, mas não conseguimos mantê-los por falta de pagamento e isso vai impactar naquele que chega com derrame, infarto, queda de moto... Temos de nos empenhar em não perdermos o corpo clínico. Tem médico que vive disso, que está emprestando dinheiro em banco para pagar as dívidas”, afirmou Bonjorno.

 

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