Sábado, 23 Setembro 2017  18:36:23

Docente da USP é destaque internacional

  • Escrito por  Marcos Escrivani
Eu poderia ter escolhido não ter família e me dedicar inteiramente às ciências. Mas eu desejei ter mais que uma carreira. Eu poderia ter escolhido não ter família e me dedicar inteiramente às ciências. Mas eu desejei ter mais que uma carreira. (Foto:Divulgação)

Mãe de Pedro (6 anos) e Lukas (4), Andréa Simone Stucchi de Camargo Alvarez Bernardez é docente do Grupo de Ressonância Magnética do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) desde 2006.

Mas não foi desde o início de sua carreira acadêmica que a física foi protagonista. Graduada e mestre em Química pela Unesp, a física entrou em sua vida “acidentalmente”.

Mas, por acidente ou não, ficou e tornou a docente um destaque - dentro e fora do país. Conheça um pouco de sua história no Dia Internacional da Mulher.

 

Jornal Primeira Página - Quando sua paixão pela Física teve início?

Andréa Simone - Quando eu era adolescente, meu interesse maior era pelas ciências biológicas. Porém, sempre gostei muito de química e sempre tive muita facilidade nessa disciplina. A física veio de maneira natural, pois, durante meu mestrado, eu conheci o professor Luiz Antonio de Oliveira [docente do IFSC] e começamos a colaborar estreitamente. Mais tarde, ele me convidou para fazer o doutorado inteiramente no IFSC. 

 

PP - Você pode falar, brevemente, sobre sua carreira como pesquisadora?

Andréa Simone - Ter passado por áreas diferentes tornou minha carreira multidisciplinar. Trabalho com materiais que têm aplicações ópticas luminescentes, então fico na interface da química, física e engenharia de materiais. Um ano depois de ter sido contratada no IFSC, ganhei bolsa de estudos da fundação alemã Alexander von Humboldt e assim trabalhei durante três anos na Universidade de Muenster. Atualmente, além da pesquisa e a docência, que envolvem a orientação e educação de alunos de graduação e pós-graduação, organizo eventos científicos, participo de atividades de extensão e administração etc. 

 

PP - Durante todos os anos de carreira, você pode falar de algum momento marcante?

Andréa Simone - Foi em 2007, quando ganhei o Prêmio Loreal for Women in Science. Isso foi muito legal, pois me senti muito motivada!

 

PP - Você é casada com um pesquisador da mesma área que a sua, e que também é docente do IFSC. Pode falar de um pró e um contra dessa situação?

 

Andréa Simone - O legal disso é que nos apoiamos imensamente. Nós escolhemos ter família e carreira, então um dá cobertura ao outro conforme as necessidades. Uma desvantagem é que falamos muito sobre trabalho. Às vezes, num domingo de manhã, estamos indo a um parque com nossos filhos e estamos falando sobre trabalho. Tentamos não exagerar, mas é inevitável.

 

PP - A maioria dos acadêmicos da área de física são homens. Qual o principal desafio nesse contexto e como se destacar, sendo mulher?

 

Andréa Simone - Em minha trajetória, nunca me senti discriminada por ser mulher, mas o fato é que mulheres de carreira, que também têm família, normalmente acumulam muito mais funções que os homens, que acabam tendo maior disponibilidade e tempo para se dedicar ao trabalho. Se você quer trabalhar em ciências, a dedicação tem que ser enorme! E esta foi minha escolha. Eu poderia ter escolhido não ter família e me dedicar inteiramente às ciências. Mas eu desejei ter mais que uma carreira.

Última modificação em Sábado, 07 Março 2015 16:40

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