Domingo, 21 Outubro 2018  16:24:29

Augusto Cury, o brasileiro que mais vende livros no País, quer desacelerar

  • Escrito por  AGÊNCIA ESTADO

Augusto Cury, o autor brasileiro que mais vende livros no País, está preocupado com o futuro da humanidade. Com a obesidade, a anorexia, a ansiedade, o alto índice de suicídio, o excesso de informação. Com a educação das crianças em casa e na escola.

Os assuntos que os angustiam se tornam livros, palestras, cursos. Uma das novidades de sua franquia, que inclui sistema de ensino e cursos de coaching em inteligência emocional, tudo sempre baseado na Teoria Inteligência Multifocal, criada por ele, é o programa de emagrecimento Dieta Emocional.

Cury dá cerca de oito concorridas palestras por mês no Brasil e no exterior - para, ele conta, educadores, juízes do Supremo, membros da Ordem dos Advogados do Brasil, líderes do Vale do Silício. Lança em média quatro livros por ano nas áreas de ficção e não ficção. Mas o psiquiatra nascido em Colina, no interior, em 1958, que deixou o consultório para ensinar as pessoas a "gerenciar as emoções", controlar a ansiedade e melhorar a qualidade de vida - se tornando, assim, um dos mais requisitados palestrantes e um dos grandes best-sellers brasileiros, com 30 milhões de livros vendidos aqui - quer desacelerar.

"Em 2018, vou fazer uma ou duas palestras por mês. Vou diminuir minhas atividades por causa de cinema e dos seriados", diz, à reportagem, o autor, que é recluso e avesso a entrevistas. O Vendedor de Sonhos, um de seus principais sucessos, sobre a relação entre um homem maltrapilho e um intelectual que quer se matar, virou filme de Jayme Monjardim com Dan Stulbach em 2016. O ator Jim Carrey tem o livro em mãos e uma adaptação hollywoodiana pode ser fechada em breve.

Agora, ele quer que sua trilogia iniciada com O Homem Mais Inteligente da História (350 mil exemplares vendidos desde novembro de 2016), que continuou com O Homem Mais Feliz da História (50 mil cópias desde novembro de 2017) e que será encerrada no fim do ano se transforme em seriado internacional com 10 episódios para cada livro. "Estamos vendo as questões do contrato. E como os produtores nunca tiveram experiência com esse tipo de história, estamos construindo roteiros - tudo acontece a partir de uma mesa-redonda e a história vai para o passado, fala sobre a personalidade de Jesus e as técnicas que ele utilizou, volta para o presente, para as redes sociais, para ansiedade, depressão, suicídio", conta.

NOVOS PROJETOSTem muito mais. O Futuro da Humanidade já tem contrato e está em fase de roteiro. A Felicidade Roubada também já foi acertado e Cury espera fechar, ainda, a adaptação do juvenil Petrus Logus. Está trabalhando no documentário A Ditadura da Beleza e a Revolução Digital, que depois deve virar filme em inglês. Também em inglês, está prevista uma série de ficção científica sobre prevenção de crimes baseada no conjunto de sua obra. Convidado pela Amazon, ele já começou a comandar no Brasil, com "possibilidade de se espalhar pelo mundo", o Canal da Gestão da Emoção.

Aos palcos, devem chegar, este ano, De Gênio e Louco Todo Mundo Tem um Pouco e O Vendedor de Sonhos. Em 2019, ele pretende escrever mais ficção, ou, como chama, romances psiquiátricos históricos - e menos não ficção.

Quanto aos cursos, que seus discípulos não desanimem. Cury não estará mais tão disponível presencialmente, mas vai começar a dar conferências a distância, pela Academia de Gestão da Emoção Online.

Augusto Cury não precisa dessas adaptações para vender livros, mas é certo que elas impulsionarão ainda mais as vendas. Em 2017 segundo a Nielsen, o psiquiatra foi o autor brasileiro que mais vendeu livros no Brasil e superou o segundo colocado, Mário Sérgio Cortella, em 200%. Comparando o ano passado com 2016, quando ele vendeu 100% a mais que o segundo, Padre Marcelo Rossi seu desempenho foi 19% maior em volume e 26% maior em valor.

O ESCRITOR – Descobri essa vocação a partir do 2º, 3º ano da faculdade de Medicina, quando passei por uma crise emocional. Eu, que era uma pessoa sociável, comecei a me bombardear de perguntas: por que não administro meus pensamentos? Por que não consigo proteger minha emoção? Por que não sou líder de mim mesmo? Descobri que era uma pessoal hipersensível. Foi aí que comecei a escrever sobre meus fantasmas mentais, meus pensamentos perturbadores, minhas angústias e emoções tensas. Com isso nasceu o escritor e também o construtor de conhecimento.

REJEIÇÃO À PRIMEIRA VISTA – Escrevi 3 mil paginas antes de publicar meu primeiro livro, onde eu desenvolvi o conhecimento sobre o estudo da mente, teorias sobre a construção do pensamento, o eu como autor da própria história, etc. Resumi para 400 páginas e procurei editoras. Todas elas me rejeitaram. Até que a Cultrix publicou Inteligência Multifocal, mas sem 500 termos do original. Hoje, uso metáforas para explicar os bastidores da mente humana.

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