Sexta-feira, 20 Julho 2018  22:23:03

“A arte de contar histórias é um instrumento de transformação”, disse Livia Alencar

  • Escrito por  Siméia Nunes

No dia 23 de abril é comemorado o Dia Mundial do Livro, data que originalmente surgiu na Catalunha, região da Espanha, mas só com a morte do escritor inglês William Shakespeare a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) oficializou a comemoração. A data, além de ser para homenagear diversas obras literárias, tem como objetivo ainda conscientizar sobre o prazer da leitura. E para falar sobre o assunto, o Primeira Página conversou com Livia Alencar, contadora de histórias que começou sua carreira na cidade de São Carlos e hoje vive nos Estados Unidos.

Segundo Livia, sua história com a contação de histórias começou ainda na infância, quando ela ouvia sua mãe contando histórias para ela e sua irmã. “Acredito que foi a minha mãe que despertou em mim de maneira tão doce, com o amor único que as mães têm, o interesse pelas histórias e a capacidade criativa e imaginativa. Tenho memórias lindas dos momentos que eu e minha irmã passávamos deitadas na cama com a minha mãe enquanto ela nos contava histórias, e as imagens iam se formando dentro da minha cabecinha, e os personagens ganhavam vida no meu mundo”, contou Livia.

Livia cresceu, foi estudar Ciências Sociais na UFSCar e, em 2006, aos 21 anos, escolheu uma disciplina optativa de Contação de Histórias do Departamento de Letras e foi aí que começou a contar histórias voluntariamente e se apaixonou por essa arte, a de contar histórias. “Ao fazer aquela matéria na Universidade, eu precisava aplicar os conhecimentos que estava adquirindo com a comunidade e preparar um trabalho de conclusão relatando as experiências práticas. Por isso comecei  a contar histórias em uma escola pública de Ensino Fundamental de São Carlos. Lembro-me exatamente do que senti quando entrei pela primeira vez na escola. Tive um sentimento bem gostoso e mágico ao ver as crianças com quem eu trabalharia naquele semestre. Eram algumas turmas do primeiro ao terceiro ano do Ensino Fundamental e logo eu comecei a ser chamada de “tia das histórias”!

Livia falou também um pouco sobre como a arte de contar histórias ajudou sua mãe a se recuperar da síndrome do pânico, doença que veio acompanhada de uma depressão. “Em momentos de tristeza e desespero que às vezes retornavam na vida da minha mãe, ela me pedia para contar histórias para ela. E eu contava... e ela se sentia melhor. Por meio desses momentos eu comecei a perceber que as histórias tem um poder maior do que eu imaginava, ou do que todos nós imaginamos”, afirmou. Além das experiências positivas vividas em sua família, Lívia também teve outras experiências memoráveis fora de seu convívio familiar. A Contadora de histórias trabalhou em uma instituição na cidade de São Carlos contando histórias para adolescentes e adultos com necessidades especiais. “Eles logo me cativaram e eu ia semanalmente contar histórias lá. Era maravilhoso ver como as histórias prendiam a atenção deles e, melhor ainda, que eles mesmos queriam participar contando histórias”, destacou Livia. Para ela, trabalhar com pessoas com necessidades especiais, que muitas vezes não conseguiam expressar em palavras propriamente ditas, e vivenciar o quanto sua mãe se acalmava quando ouvia suas histórias, a fizeram entender que todos nós – todos – temos capacidade de imaginar, inventar, criar. “A contação de histórias é um instrumentos de Transformação”, finalizou Livia Alencar.

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