Sábado, 22 Setembro 2018  03:34:01

Pesquisa da UFSCar aborda a história da educação indígena no Brasil

  • Escrito por  DA REDAÇÃO

Formação acadêmica internacional de estudantes indígenas e produção de conhecimento de alto nível unindo saberes tradicionais e científicos são os objetivos do projeto "Estudos Indígenas: inovação curricular, internacionalização das universidades brasileiras e fortalecimento dos pesquisadores indígenas nacionais e internacionais", desenvolvido na UFSCar, com coordenação da professora Roseli Rodrigues de Mello, do Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas (DTPP), e parceria do Centro de Culturas Indígenas (CCI) da Universidade. A iniciativa, que prevê intercâmbio estudantil e pesquisa internacional, tem financiamento conjunto da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento.

No escopo do projeto Estudos Indígenas, a coordenadora conta que seis estudantes indígenas da UFSCar, dois a cada ano, passarão 12 meses em universidades no exterior - a Universidade de Córdoba, na Espanha, e a Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Atualmente, Karla Caroline Teixeira, do curso de Medicina, e Adriele da Silva Braga, do curso de Psicologia, estão na Universidade de Córdoba, onde permanecerão até fevereiro de 2019. Outros dois estudantes - Marcondy Maurício de Souza, do curso de Biotecnologia, e Ornaldo Baltazar Sena, do curso de Medicina - estiveram na Universidade de Córdoba de 2017 até o começo deste ano. "Esses  estudantes, que também são líderes no CCI, cursam parte da graduação lá e, ao mesmo tempo, fomentam o debate sobre políticas públicas de ações afirmativas para minorias presentes na Espanha, com base na experiência de atuação no CCI da UFSCar. Além disso, estamos fazendo levantamento da produção científica mundial sobre os povos indígenas", conta Mello.

Além desses quatro estudantes, mais dois estarão em mobilidade acadêmica no próximo ano. O programa também visa uma interlocução entre os docentes das universidades envolvidas. "Eles estão se qualificando e, como líderes indígenas de diferentes comunidades, buscam integrar conhecimento científico com a experiência e o conhecimento milenar dos povos tradicionais. Todos ganham com isso, alunos, professores, universidades, a ciência e a sociedade", defende a pesquisadora da UFSCar.

O projeto de pesquisa tem a participação de sete docentes - Fernanda Callegari, do Departamento de Medicina (DMed); Anselmo João Calzolari Neto, Coordenador do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do Campus Araras; Monica Filomena Caron, do Departamento de Geografia, Turismo e Humanidades (DGTH-So) do Campus de Sorocaba; Andrea Soares da Costa Fuentes, do Departamento de Genética e Evolução (DGE); Claudia Raimundo Reyes, do DTPP; Celso Conti, do Departamento de Educação (DEd); e Amadeu Logarezzi, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCAm) - ; seis estudantes indígenas bolsistas e 12 outros alunos de graduação.

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INDÍGENA – Além de promover a mobilidade acadêmica, a equipe do projeto se dedica a atividades de formação e de pesquisa. No momento, o grupo está fazendo um levantamento nacional e internacional sobre a educação indígena e sobre políticas universitárias para presença indígena nas universidades. Como parte dessa pesquisa bibliográfica, Roseli Mello, Marcondy Souza e Thaís Juliana Palomino, servidora técnico-administrativa da Coordenadoria de Relações Étnico-Raciais da UFSCar, pesquisadora e colaboradora do CCI, fizeram um estudo sobre a história da educação indígena no Brasil, em uma perspectiva de protagonismo dos povos e movimentos indígenas, que culminou na publicação recente do artigo "Indigenous School Education in Brasil", na Oxford Research Encyclopedia of Education, da Universidade de Oxford (Inglaterra). Outros integrantes, divididos em dois grupos, estão fazendo a revisão bibliográfica em países de Língua Espanhola e em países de Língua Inglesa.

No artigo, os autores explicam que "a autodeterminação dos povos originários de qualquer nação, a preservação de seus territórios, a preservação das tradições e a negociação de costumes voltados para as

culturas nacionais são temas centrais no debate sobre e entre povos indígenas no mundo".

Mello reforça que como em outros países, ao longo da história, o que aconteceu e está acontecendo no processo de educação do Brasil não é um fato isolado. "As condições atuais são o produto de processos de colonização, o desenvolvimento da sociedade industrial e, mais recentemente, da globalização. Tais processos históricos trazem lutas, confrontos, transformações e solidariedade. Na esfera legal, as convenções, declarações e tratados internacionais influenciaram mais ou menos as normas e leis sobre o assunto em cada país", explica ela.

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