Editorial: Penha e as bravatas


O vereador Aparecido Donizetti Penha (PPS) apresentou projetos polêmicos à Câmara de São Carlos. Um deles trata da redução do subsídio de prefeito, vice-prefeito, secretários municipais e vereadores.

Usando uma metodologia equivocada e descabida, Penha balizou o subsídio do prefeito no salário de um professor da Rede Municipal de Ensino Nível 1 que, segundo ele, ganha pouco mais de R$ 2,9 mil.

Precisou a reportagem do Primeira Página buscar uma informação que o parlamentar desconhece, ou foi mal informado pela equipe que conduz a elaboração desse projeto.

Dos 1.070 professores, 810 ganham mais que isso, ou seja: 75%. Como diz o vereador Equimarcílias Freire (PMDB), a política são-carlense hoje necessita de menos politicagem e demagogia.

O que menos atrai no funcionalismo público municipal hoje, lamentavelmente, é o salário. Aliás, o próprio parlamentar já é calejado nesse assunto. Foi policial militar por longas décadas e talvez, em algum momento da carreira, reclamou do ‘soldo’, assim como os policiais tratam os próprios salários.

Se o funcionalismo público é desestimulado no aspecto salarial, duas situações podem ser percebidas. Ou ele desiste da carreira ou entra de cabeça no mundo sórdido da corrupção. E o noticiário não nos deixa mentir. Quantos policiais não foram expulsos da corporação por corrupção.

A política necessita de menos bravatas. O projeto do vereador representa um risco ao funcionalismo público. Se já é difícil encontrar pessoas dispostas a se doarem ao serviço público, imagine com poucas perspectivas de crescimento profissional.

E os engenheiros, advogados e médicos que dedicaram décadas à Prefeitura de São Carlos? Qual o sentimento deles em relação à iniciativa do vereador Penha que tenta vilipendiar tantos direitos adquiridos ao longo de anos de serviços prestados ao município? 

Em vez de propor um projeto de caráter popularesco, para não dizer simplesmente demagógico, Penha deveria se preocupar antes com a qualificação profissional de quem presta serviços no âmbito municipal, pois o atendimento e a eficiência, na gestão pública, só assim poderão ser melhorados em todos os seus aspectos, incluindo neles transparência e honestidade. 

Que nos perdoe, Penha, o resto serve apenas como conversa fiada para boi dormir ou acalentar os mais desavisados dos nossos cidadãos. E que ninguém mais se engane com discursos de pseudo-caçadores de marajás. Já nos basta o exemplo dado, num passado não muito remoto, por Fernando Collor de Mello.

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