Terça-feira, 21 Novembro 2017  13:15:18

O tamanho do problema

  • Escrito por  Redação

A manifestação dos vinte e dois médicos que, exaustos por conta das circunstâncias de trabalho, apontam para um possível abandono das funções públicas é mais um degrau na escalada da crise da saúde na cidade. Segundo esse grupo denuncia, eles convivem com a “ausência de espaço físico para o cumprimento da determinação judicial, considerando a aplicação da carga horária estabelecida, pois inexistem salas de atendimento suficientes e as existentes são compartilhadas com outros profissionais da saúde”.

Falam ainda na “precariedade da infraestrutura dispensada pela municipalidade para o justo atendimento à saúde, o que torna o ambiente de trabalho estressante e por vezes, até mesmo, insalubre”. Isso sem falar da questão salarial. Eles ratificaram que o salário que recebem na Rede é baixo quando levado em consideração o piso salarial da categoria de R$ 13.847,93 por 20 horas de trabalho, “muito superior ao valor de R$ 2.442,00 por tarefa de 15 horas semanais e que são pagos atualmente”. Situação semelhante vivem os odontologistas da rede. 

Se é verdade que a situação se arrasta há muitos anos, e por várias administrações, não sendo, portanto, uma “cria” da presente gestão, é verdade também que isso, no momento, pouco importa: talvez uma das primeiras obviedades da gestão pública é que, assumido o poder, cabe à gestão do momento resolver os problemas, não importa quem tenham sido os responsáveis mais diretos. As ações e decisões destes, claro, podem (e devem) ser investigadas e eles responsabilizados pela Justiça, civil e criminalmente, caso tenham infringido alguma lei. Mas a gestão que assumiu deve, como se costumado dizer, “cavar onde está”. 

Em outras palavras, deve ter a competência, a paciência, a capacidade de enxergar claramente os problemas reais – pouco importando quem seja o “culpado”, o “criador” – e apontar as possíveis soluções, juntamente com os outros poderes da cidade. Como se costuma dizer, “é na tormenta que se forja e se conhece o verdadeiro capitão”. 

Claro está, também, que ninguém consegue “navegar” um barco sozinho. O que se dirá de uma cidade! E esta é outra obviedade da gestão pública (aliás, de qualquer gestão): é preciso ter gente capacitada para atuar nos vários postos. Arrogância, prepotência, má vontade, segundas intenções – vindo de todo e qualquer poder, seja executivo, seja legislativo, seja judiciário, de médicos, de funcionários públicos – não ajudam em nada a solução dos problemas. Ao contrário, apenas os aprofundam e agravam. 

 

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