Terça-feira, 21 Novembro 2017  13:15:07

Traidores e liberdades

  • Escrito por  Redação

Há muitos e muitos séculos, o filósofo, orador, escritor, jurista e político romano Marco Túlio Cícero escreveu: “Uma nação pode sobreviver a seus tolos, e mesmo ao ambicioso. Mas não pode sobreviver à traição de dentro”. 

Um inimigo, diz ele, “é conhecido e leva sua bandeira abertamente”. O traidor, no entanto,“move-se entre aqueles, dentro da porta, livremente, seus sussurros manhosos que farfalham através de todas seus becos, ouvidas nos próprios corredores do próprio governo. Para o traidor aparece não um traidor; ele fala em um tom familiar a suas vítimas, e ele usa sua face e os seus argumentos, ele apela para a baixeza que encontra-se profundamente nos corações de todos os homens. Ele apodrece a alma de uma nação, ele trabalha secretamente e desconhecido na noite para minar os pilares da cidade, ele infecta o corpo político para que ele não pode mais resistir. Um assassino é menos a temer".

Ontem, Herman Benjamin, relator do julgamento da chapa Dilma-Temer, teceu um firme comentário depois de ler o seu voto, favorável à cassação: “Tal qual os seis ministros que estão aqui na bancada, eu recuso o papel de coveiro de prova viva. Posso até participar do velório, mas não carrego o caixão".

Quem acompanhou o julgamento não terá dificuldade de perceber o tom irônico do ministro ao falar “tal qual os seis ministros que estão aqui na bancada”; isso porque, ao contrário dele, alguns dos senhores ministros-juízes não terão pudor algum em carregar o caixão e fazer o papel de coveiro de prova viva. 

Serão eles traidores, no sentido dado por Cícero? O filósofo disse também: "Somos todos escravos da lei, para que possamos ser livres". E quando, ao invés de sermos escravos da lei, fizermos dela o que bem entendermos, sem pudor, sem respeito aos preceitos mais elementares da lógica, da moralidade, da retidão? Nesses casos, o que acontece à nossa liberdade?  

 

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