Terça-feira, 21 Novembro 2017  17:23:44

Cada coisa em seu lugar

  • Escrito por  Redação

A nova presidente do PT, Gleisi Hoffmann, divulgou uma nota sobre as agressões de militantes do partido à jornalista Miriam Leitão que aconteceram durante um voo entre Brasília e Rio de Janeiro no último dia 06. Em um trecho, ela diz: "Orientamos nossa militância a não realizar manifestações políticas em locais impróprios e a não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas, ideológicas ou por qualquer outro motivo, como confundi-las com as empresas para as quais trabalhem", disse a petista.

“Entretanto”, depois de palavras tão melífluas e aparentemente equilibradas e supostamente embebidas em espírito democrático, o espírito vitimista e a sanha de procurar um responsável para as próprias culpas aparecem, e a dirigente do PT então diz: "Não podemos, entretanto, deixar de ressaltar que a Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil, e em nada tem contribuído para amenizar esse clima do qual é partícipe. O PT não fará com a Globo o que a Globo faz com o PT".

Acontece que o PT já adota posições radicais com relação a veículos e jornalistas que ousam noticiar as prisões dos líderes petistas e os escândalos nos quais os partidários estão envolvidos. Possuídos por um espírito que tudo politiza, muitos militantes só conseguem enxergar a realidade na base do “amigo/inimigo” político, não havendo para essas consciências amputadas nada de mais importante, relevante e considerável do que a imagem do partido, que se torna, assim, a encarnação da moralidade, da bondade, da pureza: uma entidade sacrossanta, e santificados são os seus nomes. 

Críticas dirigidas às ideias e ações do partido (e dos seus partidários) são  interpretadas como “golpismo”, “intriga”, “perseguição”; seus críticos são “fascistas”; mas tudo que vem dos partidários é impecável, intocável, inquestionável. E, como dizia o filósofo político Eric Voegelin, a proibição de questionar é um dos traços do fundamentalismo.

É verdade que lideranças petistas foram hostilizadas em restaurantes, em hospitais, na rua. É verdade que existe um clima de radicalização e de ódio no País. Mas esse clima tem mais relação com o que os governos petistas fizeram, com o que os líderes petistas fizeram (com que outros partidos e outros líderes partidários fizeram) no País do que com ações deste ou daquele veículo de comunicação.

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