Terça-feira, 21 Novembro 2017  13:14:52

Quadrilhas

  • Escrito por  Redação

Na última quinta-feira, o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, concedeu ma entrevista de quatro horas para a revista Época. “É primeira entrevista exclusiva desde que fechou a mais pesada delação dos três anos de Lava Jato”, avalia a revista. 

A publicação diz que Joesley “explicou minuciosamente, sempre fazendo referência aos documentos entregues à Procuradoria-Geral da República, como se tornou o maior comprador de políticos do Brasil. Discorreu sobre os motivos que o levaram a gravar o presidente Michel Temer e a se oferecer à PGR para flagrar crimes em andamento contra a Lava Jato. Atacou o presidente, a quem acusa, com casos e detalhes inéditos, de liderar ‘a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil’ – e de usar a máquina do governo para retaliá-lo. Contou como o PT de Lula ‘institucionalizou’ a corrupção no Brasil e de que modo o PSDB de Aécio Neves entrou em leilões para comprar partidos nas eleições de 2014”. 

São, sem a menor sombra de dúvidas, acusações muito sérias e que obviamente enredam ainda mais as partes mais poderosas da política brasileira. Aliás, é interessante notar como o termo “quadrilha” tem sido usado para designar agrupamentos político-partidários do país. A impressão – que rápida e duramente tem se mostrado uma certeza absoluta – é a de que somos há décadas governados por bandidos, por criminosos ardilosos, organizados com dois objetivos: enriquecimento e vantagens pessoais e manutenção dos seus grupos no poder. 

Os envolvidos nas investigações terão, sem dúvida, muitos questionamentos depois dessa delação de Joesley. Por exemplo: se Temer é o chefe da “maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil”, como foi o PT a institucionalizar a corrupção? Como vice-presidente da república em governo petista, qual foi o papel que coube a cada um nesse processo de institucionalização da corrupção? Temer ajudou ou, como chefe, guiou esse processo de institucionalização? E se guiou, o fez com aval e apoio das lideranças petistas? Ou são processos completamente diferentes e paralelos o da chefia da mais perigosa organização criminosa do Brasil e o da institucionalização da corrupção? 

São perguntas que, agora, precisam ser respondidas.

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