Quarta-feira, 22 Novembro 2017  10:43:09

A verdade da realidade

  • Escrito por  Redação

Em momentos como este em que estamos vivendo, onde as narrativas pró e contra episódios importantes da nossa vida política, econômica, cultural, social se disseminam por vários meios, e são tantos e tão variados os argumentos, é essencial refletirmos sobre a “verdade da realidade”. 

Sobre esse tema, o filósofo político Eric Voegelin disse: “[a verdade da realidade] não é uma informação definitiva dada a um observador externo, mas é a própria realidade que se torna luminosa nos eventos de experiência e simbolização imaginativa. A verdade é uma perspectiva da realidade, decorrente da participação do homem, com sua existência consciente, na realidade da qual ele é parte. Assim, a consciência de uma realidade dedicada ao seu objetivo pelo desejo de saber é acompanhada pela consciência da busca como um evento dentro da realidade pretendida". 

Em outras palavras, não somos meros observadores: somo parte da realidade; e a verdade, que é um aspecto da realidade, é consequência, é produto dessa nossa participação; participação que deve ser experimentada conscientemente, ou seja, com domínio o mais pleno possível das “ferramentas” do nosso conhecimento. “Para Voegelin, a consciência é a realidade intermediária da experiência participativa. A ordem da existência humana na história e na sociedade se origina na ordem da consciência humana”, explica Michael Morrissey. 

A ordem da nossa consciência, da consciência de cada indivíduo é, pois, responsável por criar a ordem da “existência humana na história e na sociedade”. Ou seja, o que acontece na nossa sociedade e na nossa história é produto da ordem das nossas consciências. E as consciências daqueles que têm mais poder, mais capacidade de decisão, mais possibilidade de se fazer ouvir – políticos, juízes, promotores, forças policiais, professores universitários, escritores, jornalistas, empresários, etc, etc – contribuem ainda mais para estabelecer a ordem (ou a desordem) em nossa sociedade, em nossa história. 

Se hoje, no Brasil, o que reina é a desordem, é por que hoje, nas consciências da maior parte dos brasileiros – e em especial daqueles que ocupam postos de poder em nossa vida política, econômica, cultural – reina a desordem; desordem que é resultado da ignorância, da falta de desejo de saber; desordem que vem de uma moralidade corrompida, onde o egoísmo, a partidarização das opiniões, a politização de toda a vida, distorcem, escondem, manipulam o que é certo, o que é errado, instalando um completo e irresponsável relativismo; como se não houvesse realidade, fatos incontornáveis, e o que vale é apenas as opiniões pessoais e partidárias. 

Avalie este item
(0 votos)

Adicionar comentário

Atenção

• Os comentários devem ser respeitosos e relacionados estritamente ao assunto do post e são de inteira responsabilidade de seus autores.

• Não representam necessariamente a opinião deste jornal.

PUBLICIDADE

Bogas
Anacã
Prefeitura Dengue v3
Atlântica
Jornal 1ª Primeira Página. Todos os direitos reservados.