Terça-feira, 21 Novembro 2017  13:13:00

Democracia doente

  • Escrito por  Redação

Em depoimento prestado ontem, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, preso desde novembro do ano passado, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, afirmou que o Brasil “é um País de muito pouca tradição democrática”. Ele disse isso ao afirmar que receber doação de campanha por meio de caixa 2 é uma prática disseminada em "todo o Brasil” e usada “por todos os partidos” (e aqui está a contradição) nos períodos democráticos do País. 

Ora, como pode o País ter “períodos democráticos” – períodos em que o caixa 2 é uma prática disseminada – se ele “é um País de muito pouca tradição democrática”? Que espécie de democracia surge nesses períodos citados se quase não temos essa tradição? 

Para respondermos, basta testemunharmos o que está acontecendo nesta nossa “democracia” em que vivemos; “democracia” em que os representantes nominais do povo não o representa; povo fragilizado, desnorteado, desorganizado, incapaz de se orientar, se mobilizar, e pressionar e guiar (na base da pressão e da exigência) os seus representantes, que são deixamos soltos e, assim soltos, se organizam para saquear o que forem capazes de saquear, empurrando apadrinhados goelas abaixo, cobrando propinas, pagando propinas, vendendo votos, fazendo pressão, extorquindo o que conseguirem extorquir, de quem puderem extorquir. 

Não. Não somos uma democracia. Ao menos não uma democracia normal. Somos governados pelos “donos do poder” do qual falava o cientista político Raymundo Faoro; esse círculo dos “donos do poder”, segundo o filósofo Olavo de Carvalho, “faz da burocracia estatal o instrumento dócil dos seus interesses grupais, em vez da máquina administrativa impessoal e científica que ela é nas democracias normais”.

E o fato mesmo de Cabral – um dos mais ilustres (e acusados) integrantes deste “estamento burocrático dono do poder” – reconhecer que somos “um País de muito pouca tradição democrática”, indica isso de forma clara. 

Muitos, desiludidos com a nossa atual situação, desesperam: “O Brasil não tem jeito!”. E de fato não terá se este estamento dono do poder seguir a nos governar. 

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