Terça-feira, 21 Novembro 2017  13:12:51

Democracia?

  • Escrito por  Redação

Ontem, em mais um capítulo da já tão vergonhosa história política do País, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou relatório favorável a Temer. Em uma democracia séria, qualquer ocupante de cargo público acusado de forma tão veemente como o atual presidente da república, teria o mínimo de vergonha na cara e renunciaria pelo bem do País. Se isso tivesse sido feito, o Brasil teria se poupado do vexame de ontem.

Tal vexame é o resultado de uma articulação politiqueira das mais comprometedoras, perpetrada, claro, pelo Planalto. Depois de rejeitar o relatório favorável à aceitação da denúncia,  por 41 votos contra 24, a CCJ aprovou o relatório do tucano Paulo Abi-Ackel que pediu o arquivamento da denúncia. 

O porta-voz da presidência, Alexandre Parola, emitiu comunicado em que diz que Michel Temer recebeu a vitória na CCJ "com a tranquilidade de quem confia nas instituições brasileiras".

"O resultado hoje alcançado deixa claro que é sólida a maioria dos que defendem a democracia, os direitos constitucionais e o Estado de Direito. A vitória é da democracia e do direito”, disse o presidente, que tem uma visão de democracia típica do político brasileiro, sempre pronto a tomar-se como vítima de perseguição quando acusado (independentemente da veemência das provas), chamando de “democrático” o esforço cínico para livrar-se de investigações, questionamentos, críticas, inquéritos... Enfim, do caminho daquilo que é, de fato, a Justiça. 

Especialista em Direito Constitucional, parece que Temer manobra esse saber para fins próprios. E, diante disso, chamar o espetáculo patético de ontem de “democracia” é de um cinismo amedrontador. 

 

 

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