Terça-feira, 21 Novembro 2017  13:12:43

Palavras ao vento

  • Escrito por  Redação

Morria em Salvador no dia 18 de julho de 1697 – há exatos 320 anos, portanto – o missionário, orador sacro e escritor português, Padre Antônio Vieira, que por muitos anos viveu e atuou no Brasil. Autor muito produtivo, o jesuíta escreveu ao longo da sua vida religiosa mais de 200 sermões, 700 cartas e outros inúmeros textos.

Textos que, é certo, têm um imenso valor historiográfico, como documentos de uma época; mas têm também valor instrutivo, por que ainda vivos, pulsantes de expressão, e que servem como portas ou janelas que nos revelassem alguma fresta de horizonte da realidade.  

Em 1669, por exemplo, em seu "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", o padre e orador exorta os ouvintes a adotarem uma postura de serviço com relação ao País: "Se servistes à pátria, que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma". Cheio de ironia, nessa frase o padre expõe uma concepção honrosa a respeito do modo como a pessoa deve se portar frente a sua pátria: servindo-a, ainda que a ingratidão seja a paga. 

Em outro dos seus sermões, o da Sexagésima, o brilhante orador expõe uma fresta do que, com certeza, é a nossa realidade quando diz: "Para falar ao vento bastam palavras; para falar ao coração são necessárias obras". Ora, em um País como o Brasil, cheio de líderes vaidosos e irresponsáveis que acham que escutar a própria voz na mídia é sinônimo de governar, a ideia expressa nessa frase é enriquecedora e verdadeira. E o povo brasileiro bem o sabe. 

 

Avalie este item
(0 votos)

Adicionar comentário

Atenção

• Os comentários devem ser respeitosos e relacionados estritamente ao assunto do post e são de inteira responsabilidade de seus autores.

• Não representam necessariamente a opinião deste jornal.

PUBLICIDADE

Atlântica
Prefeitura Dengue v1
Jornal 1ª Primeira Página. Todos os direitos reservados.