Terça-feira, 21 Novembro 2017  10:59:41

Catalunha tem greve geral em protesto pela atuação policial em referendo

  • Escrito por  Agência EFE
Cerca de 40 organizações sindicais, políticas e sociais participaram da greve geral Cerca de 40 organizações sindicais, políticas e sociais participaram da greve geral (Foto: Susana Vera / Reuters )

A região espanhola da Catalunha enfrentou ontem (3) uma greve geral, com o apoio dos principais sindicatos e organizações pró-independência, em protesto pela atuação policial do último domingo (1º)  contra o referendo de independência. 

A convocação tem repercussão "elevada" em setores como o transporte, comércio e a agricultura, segundo os sindicatos minoritários, que estimulam a mobilização, a que chamam de "greve geral". Os sindicatos majoritários, como a UGT e CC.OO, que têm caráter estatal e se somaram ao protesto, a denominam "greve no país".

Um total de 24 manifestações fecharam o tráfego em várias vias da Catalunha, provocando retenções, em alguns casos, de mais de 10 quilômetros, segundo o Serviço Catalão de Transporte.

O governo da Catalunha realizou no último domingo um referendo separatista, declarado ilegal pelo Tribunal Constitucional. Participaram da consulta, de acordo com o executivo catalão, 2,2 milhões de pessoas.

Durante o dia, foram registradas ações policiais e despejos de colégios eleitorais por ordem judicial para evitar a votação. Essas ações deixaram mais de 800 feridos, dois deles em estado grave, informou o governo.

Inicialmente, o protesto foi convocado para mostrar a rejeição pelas prisões e os registros policiais da semana passada a fim de evitar o referendo, mas a ação da polícia no último domingo levou à mudança do sentido do protesto.

O governo regional da Catalunha, que já tinha estabelecido serviços mínimos para a greve inicial, os rebaixou, de modo que em setores importantes como ferrovia, metrô e ônibus de Barcelona ficam sensivelmente reduzidos, de 50% para 25%.

Agentes 

De acordo com o períodico espanhol El País, em pelo menos 3 cidades catalãs os agentes da Polícia Nacional e da Guarda Civil foram forçados a abandonar ontem os hotéis em que estavam hospedados por conta de protestos dos independentistas. Gritos, insultos e vaias impediam o descanso dos agentes.

O Ministério Público abriu processo para investigar as possíveis coações, ameaças e delitos de ódio contra os agentes. Por outro lado, o governo catalão informou que criará uma comissão especial de investigação das violações dos direitos fundamentais que ocorreram na Catalunha.

Com esta comissão, explicou Carles Puigdemont, presidente Catalão, o governo quer coletar toda a informação sobre os atos violentos que deixaram 893 pessoas feridas. “A comissão será criada para acompanhar e reconhecer as vítimas da brutalidade policial. São cidadãos da Catalunha, cidadãos europeus, protegidos pela Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia”.

Puigdemont explicou que a comissão será composta por especialistas de fora do governo e membros da equipe jurídica da Generalitat (governo catalão), e que "o governo será cobrado como um processo privado e fornecerá toda a cobertura necessária".

No perfil do governo catalão no Twitter, Puigdemont declarou que a Catalunha é um país pacífico. “Hoje é um dia de protesto democrático, cívico e digno. Não se deixem chatear por provocações. O mundo viu: somos pessoas pacíficas”.

Em coletiva de imprensa, Puigdemont declarou que "todos dizem que a violência não é o caminho. Eu ouvi isso dos governos da União Européia, menos do espanhol”, em tom de crítica ao posicionamento do governo central.

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