Segunda-feira, 15 Outubro 2018  13:55:48

Peru declara emergência na fronteira norte por imigração de venezuelanos

  • Escrito por  Redação Reuters

O governo do Peru declarou nesta terça-feira que vários distritos na fronteira com o Equador estão em situação de emergência por “perigo iminente” para a saúde devido ao fluxo maciço de venezuelanos que fogem de uma crise econômica e humanitária em seu país.

A emergência por 60 dias, em um decreto assinado pelo presidente Martín Vizcarra, foi declarada para os distritos de Aguas Calientes, Zarumilla e Tumbes, que foram inundados nos últimos dias por venezuelanos, antes do início da exigência de passaporte, na semana passada.

Cerca de 420 mil venezuelanos estão no Peru, quatro vezes mais do que no ano passado, segundo o escritório de migrações do país.

O êxodo da Venezuela, que soma 2,3 milhões de pessoas, aproxima-se de um período comparável à crise dos refugiados no Mediterrâneo, segundo a Organização das Nações Unidas.

Representantes de Colômbia, Equador e Peru se reunirão esta semana em Bogotá para buscar respostas para a crise.

REPATRIAÇÃO: O governo da Venezuela anunciou ontem que 89 de seus cidadãos que estavam no Peru foram repatriados depois de encontrarem “humilhações e tratamento cruel” no momento em que aumenta um êxodo que, segundo cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU), significa que 2,3 milhões de venezuelanos vivem no exterior.

O país petroleiro de cerca de 30 milhões de habitantes atravessa uma crise econômica com hiperinflação e recessão, o que vem provocando uma diáspora que se assemelha à crise dos refugiados no Mediterrâneo, segundo a agência de migrações da ONU.

Em meio a este fluxo, um grupo procedente de Lima chegou em um avião da empresa aérea estatal Conviasa na noite de segunda-feira ao aeroporto internacional, como mostraram imagens exibidas pela televisão estatal.

Os venezuelanos haviam entrado em contato com a embaixada da Venezuela em Lima “para solicitar apoio e conseguir sua repatriação”, disse o Ministério de Relações Exteriores em um comunicado lido na TV estatal.

Eles atravessaram as fronteiras atendendo a “cantos de sereia”, acrescentou a chancelaria, sem dar detalhes do grupo, que incluía crianças, segundo a transmissão de TV.

A chancelaria disse que os repatriados relataram ter sido submetidos a “humilhações, a tratamento cruel e desumano” e xenofobia.

Alguns dos venezuelanos falaram brevemente sobre sua experiência com os canais oficiais à saída do avião e na imigração, mas não houve acesso a outros meios.  

A experiência foi “dura. Não é o que se esperava. As condições são fortes, mas a pessoa aguenta. Mas a pátria é a pátria, a família é a família”, disse Andy Arias à TV oficial em sua chegada ao aeroporto.

“A Venezuela recebe hoje este grupo de filhos e filhas para que retomem sua vida com alegria (...) voltam aos seus lares para gozar como sempre de uma vida plena de liberdades, proteção social e de solidariedade”, disse a chancelaria venezuelana.

O governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não disse se realizará outras repatriações, e o Ministério das Comunicações não respondeu de imediato um email pedindo comentário sobre o assunto.

Um funcionário da chancelaria peruana disse que, por ora, esta não fará comentários sobre os venezuelanos que regressaram ao seu país e que está buscando uma resposta regional à crise imigratória.

Dias antes da volta do grupo de imigrantes, o presidente de uma ONG de imigrantes venezuelanos no Peru, Oscar Pérez, disse que Maduro está comprando passagens aéreas para que “governistas” voltem a Caracas e critiquem a vida fora da Venezuela.

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