Amaro Junior

Preparando a reintrodução ao ambiente de trabalho na era do COVID-19


A rápida disseminação do COVID-19 demandou uma transição abrupta das operações de negócios ao redor do mundo, com grandes setores da economia migrando rapidamente para o trabalho remoto e, em muitos casos, parando o trabalho completamente. Nos Estados Unidos, estima-se que o desemprego atingiu níveis nunca vistos antes, desde a Grande Depressão. Em algum momento, precisaremos voltar ao trabalho. Mas a questão não é apenas quando – mas de que maneira faremos isso.
Estamos começando a ver o achatamento da curva com testes crescentes (Alemanha, Hong Kong, Coreia do Sul) e medidas protetivas (como nos EUA, onde mais de 40 estados colocaram em pauta ordens como: “se abrigue em casa” ou “fique em casa”), mostrando promessa de melhora. Mas viveremos com as implicações sociais e econômicas desse vírus por meses enquanto construímos a capacidade de identificar os segmentos da população que são imunes ou afetados, e até estarmos confiantes que o sistema de saúde está equipado para administrar os efeitos prolongados.
Está claro: não retornaremos ao ambiente de trabalho como era antes da COVID-19. E agora, com uma abundância de paciência e compaixão, é hora de se preparar.
+ Como a transição para o trabalho vai acontecer?
A resposta curta é: será diferente para cada comunidade. Como temos visto, a duração e a severidade do surto variaram de acordo com o local, devido a fatores como densidade populacional e políticas de suporte. Similarmente, a designação de “essenciais” e “não-essenciais” para trabalhadores de linha de frente possuem graus diferentes, havendo pessoas que precisam estar fisicamente presentes para realizar seus trabalhos efetivamente. Muitos indivíduos podem hesitar em retornar, e permanecer preocupados com os riscos contínuos para sua saúde e de seus entes queridos. O desconhecido ainda vai persistir – a falta de testes generalizados e a existência de assintomáticos torna impossível determinar quem pode ser infectado, e não conseguimos dizer com certeza se a recuperação confere imunidade. Planejando a próxima etapa, precisamos ter a opção mais realista, levantando a variedade de complexidades.
+ Como determinar quando é seguro e apropriado para os trabalhadores não-essenciais voltarem para o ambiente de trabalho?
Enquanto temos alguma orientação de governos e autoridades regionais nesse tópico, é importante oferecer clareza e confiança para o seu time, definindo com antecedência o critério que será usado para determinar quando é prudente reabrir o ambiente de trabalho. Ser transparente no seu curso de comunicações internas e externas sobre como você está considerando essa questão é crucial, uma vez que terá um grande impacto na vida de seus colaboradores e nas comunidades em que vivem.
As comunicações podem incluir os dados públicos de saúde mais recentes, mudanças na infraestrutura local (como por exemplo a reabertura de transporte público), testes locais e disponibilidade de suporte comunitário (como por exemplo, reabertura de escolas públicas e privadas e creches) e as orientações das autoridades da saúde. Com isso em mente, você precisará decidir se reabrirá o ambiente de trabalho gradualmente em diferentes locais e horários, ou adiar até que todas as áreas de operação da sua empresa sejam consideradas seguras e finalmente, abrir todas juntas. Quando o dia chegar, liderança visível, comunicação frequente, reforço dos processos e planos de contingência claros ajudarão a aliviar a ansiedade.
+ Como trabalharemos no “novo” ambiente de trabalho de forma segura e respeitosa?
A proximidade das pessoas com ambientes sem divisórias, cozinhas comunitárias, comércio varejista e linhas de produção criam riscos para empregados e os próprios negócios. Líderes de operações e de RH devem identificar medidas que podem acatar agora, de forma a mitigar o futuro da infecção no ambiente de trabalho, e como melhor comunicar e promover as mudanças necessárias em normas e ambientes. Passos para considerar incluem prover e/ou requerer o uso de equipamento protetivo pessoal (assumindo que as necessidades de trabalhadores da saúde são atendidas primeiro), reconfigurando e/ou estabelecendo as barreiras ou escudos entre os espaços de trabalho, e instituindo políticas médicas (medição da temperatura, testes etc.). Você precisará fazer um compromisso explícito de limpeza profunda e fechamento de locais onde colaboradores testaram positivo nos próximos meses. Estar aberto não é necessariamente continuar aberto.
+ Quando e como trabalharemos?
Em mercados que já começaram a volta ao trabalho, as escalas dos trabalhadores foram ajustadas para evitar a aglomeração, ou seja, estão operando em turnos rotativos. Os combinados de trabalho remoto abriram uma porta para escalas de horário não-tradicionais, uma vez que as pessoas procuram balancear os compromissos profissionais e pessoais. Algumas organizações adotaram, como resultado da COVID-19, a preferência por novos jeitos de trabalhar no futuro. Isso pode incluir a expansão da adoção de trabalho por turnos, incentivo ou não das restrições de telecomunicação, adoção de um trabalho híbrido entre remoto e físico para reduzir a aglomeração de pessoas e acomodar horários flexíveis, e revisão da necessidade de viagens versus videoconferência.
+ Como construímos confiança e resiliência enquanto as vulnerabilidades e complexidades continuam?
A liderança visível será mais importante que antes para prover conforto e direcionar o retorno dos colaboradores. Começar com compaixão. Como tem sido ao longo da pandemia, reconhecer as preocupações dos colaboradores continua sendo a chave para construir confiança. Líderes de todos os níveis precisarão demonstrar empatia, compreensão e paciência. Em muitos casos, valores organizacionais serão testados de maneiras inesperadas, e precisam ser reafirmados e repensados. Para construir resiliência, as empresas precisarão considerar cuidadosamente as medidas de longo prazo, incluindo o treinamento e extensão de novos benefícios, como aconselhamento para saúde mental e dias de ausência para doentes. E construir um feedback em tempo real para os colaboradores, incluindo pesquisas, mostrando que você está ouvindo e trabalhando para atender as preocupações.
+ Quais são as implicações que dizem respeito à diversidade e inclusão quando retornarmos ao trabalho?
Essa será uma grande oportunidade para as empresas destacarem seus compromissos com a diversidade e inclusão que pregam em seus valores. Atenção à diversidade e inclusão são especialmente importantes, uma vez que os colaboradores continuam a sentir-se estressados e preocupados quando voltarem ao trabalho. Xenofobia e desigualdades podem persistir enquanto caminhamos para o período de recuperação. Esforços para garantir a diversidade, equidade e inclusão serão necessários para garantir que tanto preconceitos existentes (raça, gênero, idade, nível socioeconômico) e novos que podem surgir (tratamento privilegiado, ostracismos por aqueles que se recuperaram), não se tornem concretos. A inclusão intencional terá um longo percurso de impacto positivo para o bem-estar dos colaboradores, senso de pertencimento e, como resultado, produtividade.
+ Como podemos assegurar que focamos nas prioridades corretas e não voltar automaticamente aos hábitos antigos?
Apesar de todos os desafios que a COVID-19 tem apresentado, ela oferece um momento único para repensar práticas. Líderes e demais colaboradores precisarão refletir as lições que aprenderam e considerar como suas ações têm alterado a cultura. Líderes precisam avaliar se as prioridades estratégicas, programas e recursos necessitam de mudança. Será importante conduzir avaliações internas e o curso das prioridades e práticas – incluindo quais mudanças devem ser feitas institucionalmente ou revertidas e remediadas, como tendo a certeza de que os colaboradores saibam que não serão penalizados por trabalharem remotamente ou tirarem um período maior caso adoeçam. Estender e modificar práticas que promovem o bem-estar dos funcionários cria um valor compartilhado para os stakeholders, aderem aos valores da empresa, integram lições aprendidas e apoiam um negócio resiliente e sustentável.
Para mais informações:
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Rodolfo Araújo, VP América Latina, United Minds
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