Dilma destaca orçamento da Cultura após críticas

13 de setembro de 2012


A presidente Dilma Rousseff empossou nesta quinta-feira, 13, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) como nova ministra da Cultura e destacou o aumento no orçamento da pasta, alvo de reclamações da ex-ministra Ana de Hollanda durante sua gestão.

 

A saída de Ana deu-se em meio a críticas do meio artístico e após um pedido feito por ela à ministra do Planejamento, Miriam Belchior, por mais recursos à Cultura, alegando “risco a gestão e até mesmo a existência de boas partes das instituições culturais”.

Segundo a presidente Dilma, a Marta Suplicy vai receber um orçamento que em 2013 chega a 3 bilhões de reais, aos quais se somam outros 2,2 bilhões de reais que podem ser mobilizados pelas leis de incentivo.

“Trata-se de aumento de 65 por cento em relação ao orçamento de 2012… Certamente todos os militantes e gestores da área cultural querem mais. Não tenho dúvidas que a cultura brasileira merece mais”, disse Dilma em discurso.

As manifestações de descontentamento com a gestão de Ana culminaram com um documento divulgado neste ano, assinado por diversos artistas, intelectuais e militantes, que pediam sua substituição, cujo “despreparo” foi considerado “dolorosamente evidente”.

Dilma defendeu a ex-ministra, dizendo que sua tarefa “nem sempre foi fácil”, mas que Ana “cumpriu o seu papel”.

“Essa experiência, que é o exercício de uma atividade de governo, raramente é fácil. Mas agradeço de coração por sua lealdade, pelo sacrifício da vida pessoal, pela maneira histórica com que enfrentou pressões muitas vezes injustas e excessivas”, disse a presidente.

Ana disse que irá colaborar com sua sucessora para que nenhum projeto seja interrompido e agradeceu à área econômica do governo pelo aumento no orçamento.

“Miriam Belchior deu grande apoio ao Ministério da Cultura e neste ano a presidenta, a ministra Miriam, (o ministério da) Fazenda se sensibilizaram pela demanda da área da Cultura que é muito grande”, disse ela, em sua despedida.

 

MARTA: “DILMA É ARRETADA”

A escolha de Marta deu-se no momento em que a petista entrou na campanha do ex-ministro Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo. A nova ministra desejava concorrer novamente ao cargo nas eleições de outubro, mas foi preterida por Haddad, num movimento liderado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Marta e Haddad, no entanto, negaram que a nomeação da petista tenha relação com a disputa municipal.

A nova ministra destacou a oportunidade de “participar de um governo que eu tenho orgulho de ter ajudado a eleger”.

“É uma possibilidade de… trabalhar sob o comando de uma mulher arretada e competente que eu tanto admiro”, disse Marta, referindo-se a Dilma.

Marta agradeceu aos senadores pela aprovação na quarta-feira da proposta de emenda à Constituição que prevê a criação do Sistema Nacional de Cultura.

Dilma classificou Marta como “amiga e companheira” e que está à “altura” do cargo.

“Eu não peço só a Deus, eu peço a você que coordene a áea da cultura, trabalhe por ela, leve-a à frente”, disse a presidente, referindo-se à nova ministra.

Este é o segundo cargo ministerial de Marta, que já chefiou a pasta do Turismo no segundo governo Lula. Neste período, ela protagonizou uma polêmica ao sugerir a passageiros que enfrentavam problemas com longas esperas em aeroportos: “Relaxa e goza”.

A petista foi prefeita de São Paulo entre 2001 e 2004 e candidata à reeleição em 2004, mas perdeu para José Serra (PSDB-SP). Em 2008, voltou a disputar o cargo, quando foi derrotada pelo atual prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP).

Eleita senadora por São Paulo em 2010, Marta só passou a integrar a campanha de Haddad nos últimos dias e logo depois foi indicada ministra da Cultura.

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