Brasil

Roberto Gurgel recusa convite da CPI


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, recusou nesta quarta-feira, 3, o convite para depor na CPI que investigará os vínculos de agentes públicos e privados com Carlinhos Cachoeira, apesar dos apelos do presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e do relator, deputado Odair Cunha (PT-MG).

 

Gurgel, no entanto, ainda pode ser convocado. Um requerimento de convocação deve ser analisado pela comissão parlamentar nas próximas semanas.

“(A recusa) não afasta a possibilidade de convocação”, disse Vital do Rêgo a jornalistas depois de se reunir com Gurgel. “Quando o requerimento for a voto ele será deliberado e nós deveremos ser intérpretes da maioria (da comissão).”

Os parlamentares querem ouvir do procurador avaliações sobre a investigação do Ministério Público decorrente das operações da Polícia Federal Monte Castelo e Vegas, e também esperam explicações sobre a demora de Gurgel para apresentar um pedido formal de investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que as investigações policiais ocorrem desde 2009.

Para o presidente e o relator da CPI, Gurgel disse que ainda não concluiu sua investigação e estava impedido de prestar depoimento na comissão porque não pode se tornar testemunha no processo.

Antes de se reunir com o procurador-geral, o presidente da CPI mista disse que também pretende convidar os delegados da Polícia Federal para prestar esclarecimentos à comissão sobre as operações Vegas e Monte Carlo, que atingiram parlamentares da Câmara e do Senado.

A CPI recebeu oficialmente os inquéritos das operações da PF que correm sob sigilo de Justiça. Cachoeira, preso desde fevereiro acusado de comandar uma rede de jogos ilegais, é o personagem central da investigação parlamentar.

 

VAZAMENTOS

O presidente da CPI mostrou preocupação com os vazamentos de informações e elaborou uma cartilha com regras para que os demais membros da comissão tenham acesso aos documentos.

“A equipe de tecnologia (do Congresso) está estudando maneiras para não sermos surpreendidos (com vazamentos)”, disse Vital do Rêgo.

Segundo o senador, o ministro do STF Ricardo Levandowski também autorizou a CPI a compartilhar parte dos documentos com a corregedoria da Câmara dos Deputados e com o Conselho de Ética do Senado para que os órgãos possam analisar as citações feitas a parlamentares envolvidos com Cachoeira.

Ainda nesta quarta, o relator das investigações deve apresentar seu plano de trabalho aos demais membros da comissão e detalhar quem serão os primeiros convocados pelos parlamentares.

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