Cesarianas somam 80% dos partos em São Carlos

13 de fevereiro de 2012


Com aproximadamente 3,3 mil nascimentos de bebês na cidade, cerca de 80% são partos que optaram pela cesariana. Um índice que coloca São Carlos lado a lado com as estatísticas nacionais levantadas pelo Ministério da Saúde.

Informações da maternidade da Santa Casa, como da Casa de Saúde revelam que o sistema médico público e privado tem orientado a escolha das gestantes no momento de optar entre o parto normal e a cirurgia cesariana.

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Para a médica obstetra e professora do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Carla Andreucci Polido, a cultura estabelecida da prática da cesariana teoricamente favorece a mulher, mas na verdade atende ao médico que tem controle sobre o tempo do parto.

“O nascimento de uma criança pode acontecer de37 a42 semanas e para que se tenha um parto normal, uma equipe multidisciplinar precisa estar pelo menos 8 horas atenta à gestante, uma situação que não é vista nas maternidades”, ressaltou.

Na avaliação de Carla Polido, as equipes médicas negligenciam o parto natural. É um processo que começa no pré-natal. É fundamental que a gestante seja informada e preparada para o parto natural. “Assim a dor do parto deixa de ser encarada como sofrimento e a mulher entende o processo como um rito do nascimento de uma vida”,

Para descobrir o porquê da preferência de muitas brasileiras pelo parto cirúrgico, a Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, ligada ao Ministério da Saúde, está coordenando a pesquisa ‘Nascer Brasil: Inquérito sobre Parto e Nascimento’. O estudo vai entrevistar 24 mil mulheres em situação de pós-parto.

Dentro das estatísticas da cesariana, a auxiliar do departamento financeiro da Interpress, Ana Paula Silva, optou pela segunda vez em ter a sua filha através de cesariana. “Não tive dúvida, desde o começo já sabia que o parto seria via cirurgia e não tive problemas com isso. Em um dia já cuidava da minha filha sozinha”, explicou.

Coordenadora da Maternidade da Casa de Saúde, Jamile Bussadori, observa que os altos índices de cirurgia cesariana são consequência de uma falta de vontade das equipes de pré-natal em estimular o parto normal. “Na Casa de Saúde, que atende basicamente gestantes via convênio médico e particular, dos 160 partos ocorridos de setembro do ano passado para cá, 85% foram cirúrgicos”, revelou.

A obstetra Carla Polido pondera que esse quadro é possível de ser transformado. “Tem que se desconstruir a cultura do sofrimento e informar as mulheres para que cheguem preparadas para o parto. A discussão durante o pré-natal é o momento certo para isso”, afirmou.

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