Contra o Governo Federal, 15 mil pessoas tomam as ruas do Centro de São Carlos/SP

15 de maio de 2019


Contra os cortes das bolsas de estudos concedidas através de órgãos de incentivo à pesquisa e demais cortes na área da educação que afetaram diretamente o orçamento das universidades federais do Brasil, promovidos pelo Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PSL), cerca de 15 mil pessoas foram para às ruas e tomaram conta das vias da região central de São Carlos/SP, durante a manhã desta quarta-feira, 15.
Parte dos manifestantes se concentraram no CAASO, no interior da Universidade de São Paulo (USP), e posteriormente tomaram destino para a Praça Coronel Salles, ao encontro de demais grupos, onde juntos seguiram protestando de forma pacifica pela Avenida São Carlos até a Praça do Mercado Municipal na baixada da cidade.
Além de São Carlos/SP, pelo menos 75 das 102 universidades e institutos federais do País, convocaram protestos para esta quarta-feira, 15, em resposta ao bloqueio realizado pelo Governo Federal de 30% dos orçamentos que são determinados pelo Ministério da Educação (MEC).
Os protestantes terão apoio também de universidades públicas estaduais de diversos Estados, incluindo São Paulo, onde os reitores dos Campus da USP, Unicamp e Unesp, também convocaram docentes e alunos para ‘debater’ os rumos da área com o ocorrido. Um dos alvos do protesto, é o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que nesta última terça-feira, 14, disse que as universidades precisam deixar de ser tratadas como ‘Torres de Marfim’ e não descartou novos contingenciamentos.
Além da comunidade do ensino superior, a rede básica também aderiu à paralisação. Pelo menos 33 dos principais colégios particulares de São Paulo vão integrar o movimento, apesar da federação nacional das escolas sugerir corte de ponto de funcionários faltosos. A Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual pública de São Paulo, o maior da América Latina, convocou os professores a paralisarem, cujo ato também foi feito pelos sindicatos da rede paulistana.
Atos em todos os Estados vêm sendo chamados pelas maiores entidades estudantis e sindicais do País, incluindo a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Em Brasília, o prédio do MEC já amanheceu nesta quarta-feira, 15, cercado por homens da Força Nacional de Segurança Pública. O secretário executivo da pasta, Antoni Paulo Vogel, afirmou que a proteção foi pedida pelo Governo Federal. “Temos de estar preparados para evitar qualquer tipo de problema. Simples assim.”, ressaltou o mesmo.
Autonomia e custos. O ministro Weintraub afirmou na última terça-feira, 14, ser favorável até à entrada da polícia nas universidades. “Autonomia universitária não é soberania”, disse, durante café da manhã com jornalistas. Ele argumentou que, no passado, a regra pode ter feito sentido, “mas atualmente é dispensável”.
Ele destacou ainda que a autonomia das instituições deve se dar também na área financeira, com a criação de mecanismos que permitam a busca de recursos e patrocínios. “Hoje elas não podem. Não estou falando em cobrar, sou contra cobrar dos alunos de graduação.” Mas, emendou, “o ideal seria a criação de mecanismos para que empresas se tornem patronas de instituições, possam construir prédios, colocar nomes nas novas instalações”, disse. “Essas torres de marfim que a gente criou impedem que renda possa ser gerada para ser usada na pesquisa.”
O ministro se esquivou de fazer comentários sobre a greve, mas condicionou a liberação dos recursos bloqueados à aprovação da reforma da Previdência e não descartou novos cortes. Weintraub procurou ainda reduzir a importância do bloqueio sofrido pela pasta que lidera, citando outros ministérios que tiveram contingenciamentos maiores, como a Defesa.
O ministro disse ter recebido 50 reitores desde que assumiu e, de acordo com os relatos, a conta das universidades está em dia e “a vida segue normal”. Ele reiterou que o bloqueio só deve ser sentido no segundo semestre. “Se tiver algum problema, vou até o Ministério da Economia, para abrir exceção.”
Na mesma tarde, durante entrevista, Weintraub voltou a negar o contingenciamento de 30% anunciado pelo próprio MEC. “Mostrem os números. Parem de mentir. Estamos contingenciando 3,5%.”
Durante a manhã de ontem terça-feira, 14, ele havia sido dramático ao falar sobre seu curto período à frente do Ministério da Educação. Transcorridos menos de dois meses da sua posse, ele se queixa de perseguição. “Estou sendo caçado com taco de beisebol e machadinha. O inimigo número 1 de tudo”, disse. “Estou sendo moído.”
Justiça
A juíza Renata Almeida de Moura Isaac, titular da 7.ª Vara Cível de Salvador, solicitou que a União justifique, em até cinco dias, cada um dos bloqueios orçamentários que impôs às instituições de ensino superior no País. O pedido é consequência da ação popular impetrada pelo deputado federal Jorge Solla (PT-BA), no dia 30 de abril, que pediu a “anulação imediata” dos cortes, sob alegação de que o ministro Abraham Weintraub (Educação) atribuiu publicamente a decisão a uma reprimenda às instituições que “promoviam balbúrdia”.

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