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Enfermagem sofre apagão de profissionais

Coordenadoras do curso de Enfermagem da UFSCar e Unoeste traçam panorama do profissional assistencial da saúde

28/02/2021 08h27 - Atualizado há 2 meses Publicado por: Redação
Enfermagem sofre apagão de profissionais Foto: Divulgação

O avanço da contaminação pela Covid-19 e o aumento das internações nos hospitais, principalmente no interior de São Paulo, mostrou a frágil rede na formação dos profissionais de enfermagem.

Recentemente, o secretário de Saúde de São Carlos, Marcos Palermo, afirmou que o que mais limitava a abertura de novos leitos para Covid-19 era a falta de profissionais para o assistencial. Um discurso semelhante fez o prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), ao afirmar que não tem como abrir 30 leitos de UTI de suporte ventilatório por não conseguir compor equipe assistencial.

O Primeira Página entrevistou profissionais da área acadêmica de universidades de Enfermagem para traçar o panorama do segmento do mercado e a atuação nos hospitais da cidade e região.

A professora associada e coordenadora do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), doutora Simone Protti-Zanatta, trouxe dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o “apagão” de enfermeiros e técnicos no mercado e as vagas a serem as preenchidas. “Segundo dados da OMS, em 2020 a Enfermagem representa 59% de todos os profissionais de saúde do mundo. É a maioria na área da saúde, porém, apesar do alto número de profissionais, há uma estimativa de que, até 2030, faltarão seis milhões de enfermeiros no mundo. Não posso deixar de citar que em tempos de pandemia como a da Covid-19, a falta de profissionais de enfermagem nos diversos serviços de saúde e regiões do Brasil, tem sido muito evidenciada pela mídia”.

A coordenadora expõe ainda que o agravamento da pandemia desde 2020 evidenciou o colapso no sistema de saúde: “Unidades de Terapia Intensiva superlotadas, pacientes graves aguardando internação e infelizmente, muitas vidas perdidas”.

No mesmo diapasão fala a enfermeira e coordenadora administrativa do campus Unoeste, em Jaú, doutora Amanda Creste Martins da Costa Ribeiro Risso. “Há um gap (falha) no mundo. Estima-se que faltam perto de 5 milhões de profissionais aptos a assumir vagas abertas no mercado. O pior é que além da falta, o que se encontra disponível não chega com à formação plena. O apagão se estende pra qualidade do profissional”.

Amanda ressalta que em sua experiência como gestora de equipe de enfermagem, em hospital público e privado, nos últimos dez anos a falta de profissional de enfermagem qualificado se acentuou.

Para Simone, faz-se necessário considerar o estresse da rotina dos profissionais de saúde, na pandemia. “Eles enfrentam a sobrecarga emocional, somada ao esgotamento que vem do trabalho em si e, em muitos casos, a alta exposição ao risco representado pelo novo coronavírus”.

Dados expostos pela professora da UFSCar apontam que pelo menos a metade dos 2,3 milhões de enfermeiros, técnicos e auxiliares registrados no país estão atuando nos hospitais e unidades de saúde no combate ao coronavírus.

“No Brasil, além da dupla ou tripla jornada, os profissionais de enfermagem também convivem com baixos salários. Mais de 60% destes profissionais ganham menos de R$ 2 mil por mês (62,2%) e mais de um terço (38,7%) têm jornadas superiores a 41 horas semanais. Cerca de 3,5% recebem mais de R$ 5 mil por mês”, relata.

Na visão de Simone, a pandemia tem dado visibilidade aos profissionais de enfermagem, evidenciando a sua importância nos serviços de saúde e, ao mesmo tempo, tem mostrado o quanto eles são desvalorizados.

Formação acadêmica

Segmento convive com “explosão” de cursos semipresenciais

Outro ponto elencado por Amanda, da Unoeste, que desfavorece o profissional de enfermagem, é a “explosão” de cursos semipresenciais. “Na minha visão, isso não é bom, pois deixam os profissionais menos qualificados para o mercado. Neste momento no qual precisaremos de mais pessoas para atuar, não se encontra o enfermeiro ou técnico apto ao mercado”.

A professora da UFSCar acredita na formação dos profissionais tanto universitários, como técnicos, para a realidade de um hospital público ou filantrópico. Para ela, a formação utiliza-se do Sistema Único de Saúde (SUS) para os estágios, nos hospitais públicos e filantrópicos, Unidades Básicas de Saúde, Unidades de Saúde da Família. Nesse sentido, a formação acadêmica prepara o aluno para atuar nas diversas áreas.  “Vários destes se formam e são contratados pelas próprias instituições em que realizaram o estágio de final de curso e atuam diretamente em Unidades de Tratamento Intensivo, Urgência e Emergência, Clínica Médica, Centro Cirúrgico”.

Uma posição contrária teve Amanda ao avaliar que nenhum curso acadêmico, independente da categoria profissional, prepara o aluno para os desafios do mercado. “Os cursos são uma base para saber onde buscar e cabe ao estudante ir além do que a graduação fornece. O estudante na maioria das vezes espera que a graduação lhe dê tudo e não busca novos caminhos para a formação”. Amanda reforça que depois de formado existe a necessidade constante de se manter atualizado com as pesquisas científicas.

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