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ESPECIAL SÃO CARLOS: Crescimento da população obrigou a criação de bairros

04/11/2011 09h41 - Atualizado há 11 anos Publicado por: Redação
ESPECIAL SÃO CARLOS: Crescimento da população obrigou a criação de bairros

Segundo estudos da Fundação Pró-Memória, teve época em que tropas viajavam cerca de 40 quilômetros por dia e paravam para descansar e abastecer os tropeiros, as comitivas e os animais. Com o tempo ao redor dessas paradas surgiam casas e armazéns. Em São Carlos, segundo a tradição, a parada das tropas ficava na região da atual baixada do mercado, pois o córrego do Gregório era utilizado como fonte de água. 

Só no começo do século XX falou-se em cidade, que começava a ter essa característica urbana, com população citadina, com comércio.

Em 1886, São Carlos tinha um pouco mais de 16 mil habitantes, com o passar do tempo, houve um significativo crescimento demográfico e, em 1940, registrava cerca de 48 mil pessoas em seu território. Segundo estudos, foi durante este período que inverteu-se a relação entre a população urbana e a rural, fazendo então surgir os primeiros bairros da cidade: Vila Prado, Vila Nery, Vila Pureza e Vila Izabel.

Segundo Leila Massaro, historiadora e chefe de divisão de pesquisa e divulgação da Fundação Pró-Memória, existem trabalhos que mostram que a Vila Pureza e a Vila Izabel teriam sido bairros de ex-escravos que, libertos, teriam se estabelecido na região.

A Vila Nery, região da Vila Prado e a parte da Praça Itália, são as primeiras formações.

O estabelecimento da Estação Ferroviária e de fábricas no entorno do que hoje é conhecido como Centro, começou a formar a região chamada de bairros operários. “Isso já é final do século XIX. Temos a expansão do centro urbano posteriormente à década de 80”, explica a historiadora. “Antes disso, você tem uma coisa mais incipiente ali mesmo na área central, da igreja, do córrego, você tem um local mais concentrado e a maior parte da cidade ainda era rural”, acrescenta.

A historiadora explica que a Vila Prado, no caso, acabou concentrando trabalhadores da ferrovia e das indústrias próximas. “É o que a gente pode chamar de bairro operário, ela começa assim, então você vai ter esse tipo de trabalhador. É claro que nas indústrias e mesmo nas ferrovias tem um montante de trabalhadores imigrantes significativos”, comenta.

Além disso, a região para baixo da Estação Ferroviária, por muito tempo foi chamada de Picola Itália. “O nome foi dado porque concentrava uma população italiana significativa”, comenta Leila.

Leila conta um fato interessante do local. “A Igreja São Benedito, localizada nesta região, era considerada uma igreja de negros, mas que tinha muitos italianos em volta”, explica. Por este motivo, a historiadora acredita que não se deve considerar a região exclusivamente italiana. “Se tem uma igreja que as pessoas identificavam como igreja dos negros é porque deveria ter a presença deles na região”, comenta.

Com o passar dos anos, novos bairros surgiram e a cidade teve que se expandir além da região central para poder comportar sua população. 

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