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ESPECIAL SÃO CARLOS: Imigrantes se misturam a história de São Carlos

04/11/2011 09h44 - Atualizado há 11 anos Publicado por: Redação
ESPECIAL SÃO CARLOS: Imigrantes se misturam a história de São Carlos

São Carlos de Todos os Povos, assim foi definida a cidade quando comemorou seus 150 anos e que teve na construção de sua história a presença de diversos grupos étnicos que deixaram suas marcas na culinária, arquitetura, hábitos, costumes e cultura que até hoje influenciam no desenvolvimento local.

Durante os três séculos desde sua fundação, São Carlos, que antes fazia parte do amplo território conhecido por Campos de Araraquara, área desconhecida e limitada entre rios, recebeu imigrantes e brasileiros que migravam de outras regiões.

Não podemos falar dos primeiros povos que habitaram São Carlos sem antes viajar no tempo até o início do século XVIII com a penetração de tropas pelo interior. Época de desbravamento, reconhecimento e posse do território paulista. Destas tropas, faziam parte portugueses e seus descendentes que buscavam conquistar terras e índios para o trabalho escravo nas lavouras.

Foi a partir das primeiras décadas do século XIX que a vida no interior paulista foi se moldando e tornando-se no que alguns pesquisadores chamam de vida caipira.

Formação do território – Por volta de 1840 surge a lavoura cafeeira e, só após 1870, se transforma na principal atividade produtiva da região. Os escravos começam a serem trazidos. Segundo o historiador Marco Bala, a cidade teve seu período de Casa Grande e Senzala, bastante intenso. “Existia uma rota de escravos para São Carlos vindo do Brasil inteiro para trabalhar no café”, conta.

Em 1874, aproximadamente 45% da população do município era de negros e mestiços. Os africanos marcaram a história da cidade, que segundo Bala, infelizmente, quase não se tem registro.

Durante a febre do café, as famílias de imigrantes chegavam ao Brasil com a esperança de prosperidade. “Os italianos vinham para o café. É claro que depois, tanto eles quantos os espanhóis e portugueses, acabam se deslocando para o comércio, para a indústria e para a ferrovia”, explica Leila Massaro, historiadora e chefe de divisão de pesquisa e divulgação da Fundação Pró-Memória.

Foi a partir de 1880 que imigrantes chegaram diretamente à cidade ou se transferiram da área rural pelas dificuldades de adaptação ao sistema de trabalho, instalando novos serviços e constituindo uma classe média urbana até então quase inexistente.

“Se não me engano, os portugueses são o segundo grupo de imigrante mais significativo para o período imigratório. Concentrado principalmente nas atividades comerciais. Tivemos até mesmo um consulado português. Alguns relatos contam que na época da ditadura militar, se alguém precisasse escapar da polícia, ia pra lá porque era território português e a polícia não podia entrar”, conta. Os portugueses já estavam aqui, alguns vinham do final do século XIX, começo do século XX, por causa da economia cafeeira, mas com o passar do tempo também acabam mudando de ramo.

Além de italianos, portugueses e espanhóis, outros imigrantes chegaram a São Carlos, como os japoneses, que segundo Bala, não vieram para o café, e sim para uma experiência de plantação de arroz, entre outros. “Alemães e austríacos também vieram, porém, se diluíram. A imigração italiana que foi realmente forte”, comenta.

 

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MARCO AURELIO SANTOS
MARCO AURELIO SANTOS
10 anos atrás

CONCORDO, mas ñ podemos esquecer dos ARABES tb. Familias Sirio-Libaneses, principalmente, que colaboraram intensamente para o COMÉRCIO DE SÃO CARLOS. modéstia parte, embora meu sobrenome seja Santos, mas faço parte de familia ARABE DE SÃO CARLOS. se fosse enumerar os nomes de familias arabes tradicionais de SÃO CARLOS, iría longe demais…

José Augusto pereira
10 anos atrás

PARABÉNS SÃO CARLOS
(José Augusto Pereira)

Sua história se compara ao correr das águas de um rio, com destino surpreendente.
Já foste morada de índios, de escravos de quilombo, de forasteiros, imigrantes e descendentes.

Caminhos de rios e córregos: Mogi Guaçu, Araras, Pântano, Gregório, Monjolinho e Quilombo.
Águas que viraram luz, que movimentou o bonde, iluminou a cidade, acendeu a vila e o campo.

Quando São Carlos ainda era Pinhal, todas as manhãs o povo recebia na porta a carne o leite e o pão.
Mercadorias não faltavam no tempo da venda ou armazém, aromatizado por grandes sacas de grãos.

Atrás do balcão, de lápis atravessado na orelha, ficava dona Maria, seu Manoel e o filho João.
O pecado ainda não tinha sido inventado, tudo era anotado na caderneta, sem pressa de ter o dinheiro em mãos.

Sem páginas respingadas de sangue, os jornais contavam historias de amor.
Havia guardas-civis, que apitavam, para velar janelas abertas em noite de muito calor.

As noticias eram boas, e as musicas da época, ouvidas no rádio, alegravam multidões.
Os políticos eram honestos, a cidade sorria tranqüila, pois não existiam os ladrões.

Não havia poluição, as ruas eram um jardim botânico, onde as casas entre arvores se escondiam.
As avenidas eram imensas, ajardinadas, e sentiam cócegas quando por acaso um Ford-29 surgia.

Dispensava-se currículo, bastava o sobrenome, todo mundo era gente boa e que presta.
As mulheres sabiam costurar e bordar, fazer o próprio vestido para os dias de quermesse e de festa.

Podia chover enxurradas que lavavam as ladeiras, mas não alagavam as baixadas.
Ruas pavimentadas de pedras, entre as quais crescia o verde, sugava toda enxurrada.

Ninguém falava alto, nem o latido dos cães competia com o canto dos galos.
O azul do céu era lindo, o dia era feito de mel, adoçando a vida dos casais apaixonados.

Havia praças perfumadas com flores, bancos e coretos onde a banda sempre tocava.
Ela vestida de seda. Ele de palitó de linho e gravata, esperando a parentada na estação da Fepasa.

Não existiam pardais, mas havia sabiá e canário e bem-te-vis que nada viam.
Senhoras que cochichavam nas esquinas, entre o barulho das crianças, que brincavam e sorriam.

No ponto mais alto da praça, o povo ajudou e ergueu a igreja Matriz de São Carlos.
Onde os sinos anunciavam: rezas, domingos de missa, casamentos e batizados.

Na “Atenas Paulista”, o entardecer era lindo, pois ainda os edifícios não seqüestravam o horizonte.
A noite surgia calma, sorrindo aveludada, salpicada de estrelas brilhantes.

Hoje sua economia atiçou o progresso e a imagem que consagra a beleza da cidade
Seu povo trabalha na industria, comercio e agricultura, se educando em importantes escolas, universidade e faculdades.

Com a marcha do progresso, sobra gente que invade ruas e esquinas, onde carros e ônibus não param de circular.
Levando gente daqui, e gente de lá, gente apressada, que ensina, que estuda, gente que vai trabalhar.

A vida nasce cedinho e São Carlos corre e se espreguiça, ao ver o dia amanhecer.
O sol surge limpo, quente e brilhante, mas sempre tem edifícios, onde pode se esconder.

São empresas que surgem, novas casas, edifícios, hospitais, escolas, mais praças e ruas, novos filhos e irmãos.
São Carlos é Pólo de Alta Tecnologia, orgulho consagrado de seus moradores natos ou de coração.

Não existe mistério em tuas noites e dias, nada demais se esconde no teu sorriso maroto.
São Carlos hoje é adulto, mas na memória saudosa de seu povo, continua sendo um garoto!

Berço de grandes famílias paulistas, de migrantes e imigrantes, gente que povoam as ruas e fazem crescer o progresso.
Hoje no seu aniversario, cumprimentamos a cidade pelo seu desenvolvimento e sucesso.
Parabéns população de São Carlos – (José Augusto Pereira – Sta Eudóxia 04 de Novembro de 2009)

José Augusto Pereira – (Dom Mineiro) Escreve semanalmente para os jornais:GAZETA CENTRAL ; FOLHA DE IBATÉ; GAZETA DE STA. RITA e FOLHA DE LUIZ ANTONIO e nos Sites: http://www.maisinterior.com.br pagina cidades e http://www.stiesporte.com.br > pagina SÃO CARLOS

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