Especialistas e pais opinam sobre aprovação de “Lei da Palmada”

17 de dezembro de 2011


Na última quarta-feira (14) foi aprovado pela Câmara dos Deputados projeto de lei, popularmente denominada “Lei da Palmada”, que proíbe castigos físicos em crianças e adolescentes. Médicos, professores e agentes públicos que não denunciarem a violência deverão pagar multas.

A psicóloga Lucia Williams, que é professora da UFSCar e coordenadora do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência (Laprev), trabalhou com a deputada Teresa Surita (PMDB-RR) para a aprovação,em Comissão Especialna Câmara, da lei. “O termo ´Lei da Palmada` banaliza o que de fato representa essa lei. Antes o problema fosse uma palmada, mas estamos falando de agressões com mangueiras, objetos cortantes. Uma pesquisa realizada em três escolas públicas de São Carlos mostrou que 70% dos alunos disseram ter sofrido algum tipo de violência física gerada pelos pais”, relata.

Maria Paula Rodrigues não encara a palmada como o único recurso, porém já empregou o método com os dois filhos e não mostra arrependimento. “Esses meninos são terríveis! Na hora do nervosismo, a gente acaba se exaltando porque busca uma solução imediata. É óbvio que não sou a favor do espancamento de uma criança, mas achar que umas palmadas no bumbum é violência, é exagero”, opina a mãe.

Segundo a psicóloga, a palmada não é solução em nenhum caso, pois além de deseducar, ela pode fazer muito mal. “Dificilmente a agressão fica somente na palmada, que é o caminho para a violência. A pessoa vai aumentando o nervosismo e também a intensidade do castigo, que pode virar uma surra. Pais que batem nos filhos foram educados assim, mas nós estamos no século XXI e essa lei está muito mais preocupada em educar, em mudar a percepção desses pais do que em punir”, explica.

Fernando Martinez, 35, pai de Vitória, 8, criou a filha sem precisar erguer a mão. O fisioterapeuta chama a atenção e dá broncas, mas nunca se utilizou de palmadas. “Ela sempre foi uma criança muito tranqüila, nunca me deu muito trabalho. Geralmente, quando a Vitória faz algo errado eu fico bravo e a ignoro por um tempo, atitude que surte bastante efeito”, relata.

Para o advogado Augusto Fauvel de Moraes o governo pode e deve editar normas que visam a proteção de crianças e adolescentes, no entanto respeitando o limite da educação dos pais. “Não concordo com a interferência do governo na educação de filhos e acho que a lei deva regulamentar somente excessos e não a maneira e meios que os pais utilizam. Particularmente sou a favor de uma boa conversa, mas cada pai sabe o que é melhor para seu filho, devendo a lei apenas coibir excessos e agressões”, finaliza

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