Cidades

Estudante cursa graduação à distância na Alemanha, mesmo estando no Brasil


Situação ocorreu por conta da pandemia do novo coronavírus e a adoção do ensino via internet

A pandemia do novo coronavírus trouxe algumas situações inéditas para diversas pessoas. Uma delas foi a estudante Suska Gutzeit. Nascida na Alemanha, filha de pai alemão e mãe brasileira, ela se mudou para o Brasil ainda adolescente. Porém, retornou à Alemanha no ano passado para cursar Jornalismo, na Technische Hochschule em Colônia. Agora, com a adoção do isolamento social e as aulas pela internet, ela voltou à cidade em que os pais moram, Santa Rita do Passa Quatro (SP) e está acompanhando as aulas, literalmente, à distância.
Assim que a Alemanha começou a debater a hipótese de adotar o lockdown, impedindo que as pessoas deixassem ou entrassem no país, Suska logo pegou um avião com destino ao Brasil. “Fiquei preocupada com os meus pais e o risco de não poder viajar. Além disso, lá eu moro na moradia estudantil e ela estava vazia, não tinha ninguém, seria bem triste ficar lá. E também a universidade comunicou que o reinício das aulas atrasaria e as primeiras aulas seriam online. Então, decidi vir para o Brasil e depois veria como ia ficar a situação”.
As aulas foram retomadas virtualmente, e Suska tem as acompanhado mesmo estando longe e
enfrentando algumas adaptações. “ As principais dificuldades: o fuso horário, com a diferença de 5 horas. Por exemplo, uma das matérias é 9 da manhã na Alemanha, e aqui são 4 da manhã, isso está sendo complicado, mesmo que a matéria seja a cada 15 dias. Outra coisa ruim é que não tem a possibilidade de tirar dúvida na hora da aula, só depois de um tempo o professor responde”.
Outros pontos complicados em estar distante da Universidade são as aulas práticas e a biblioteca. “A biblioteca da universidade tem um catálogo bem grande de livros disponíveis online e também podemos pedir que eles disponibilizem os livros físicos online, mas alguns livros precisariam ser retirados presencialmente. As aulas práticas não têm como aprender da mesma maneira à distância sem o professor, como fotografia ou edição de vídeos”.
Por fim, questionada sobre a hipótese dessa modalidade se consolidar no mundo, com pessoas
podendo estudar em universidades, mesmo morando em outro país, Suska acredita que o modelo precise de adaptações. “Seria bacana esse intercâmbio de experiências, mas talvez teria o problema por conta de diferenças culturais e fuso-horário. Eu acho que é possível, mas o sistema precisa melhorar. Eu percebi que na Alemanha as universidades não estavam nada preparadas e tiveram de se reinventar em pouco tempo”.

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