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Família “divide” casa com casal de bem-te-vis

08/12/2011 10h05 - Atualizado há 9 anos Publicado por: Redação
Família “divide” casa com casal de bem-te-vis

Uma cena curiosa chama a atenção para quem entra na casa de Valda Cândido, moradora do Jardim das Torres, próximo ao parque do Bicão. No corredor de acesso aos fundos da residência, ornamentado com diversos vasos, é possível observar, sobre vários deles, uma série de ninhos de pássaros abandonados. E no começo do corredor, numa parte coberta da parede, há um vaso que ostenta o atual abrigo de uma ninhada de filhotes de bem-te-vis, espécie de pássaro conhecida por seu canto peculiar, onde o mesmo parece pronunciar seu próprio nome.

Há quatro anos a família de Valda convive com a presença do casal de bem-te-vis que estabeleceu, nos vasos de plantas presos à parede, sua moradia e que, com frequência, botam ovos e chocam filhotes no local. Os moradores acostumaram-se tanto com a situação que passaram a cuidar das aves como se fossem animais de estimação.

“Quando eles apareceram pela primeira vez, se estabeleceram no fundo da casa. No começo achamos que eles vinham por causa de um aquário que ficava destampado no fundo de casa, mas ao fecharmos ele, percebemos que bem-te-vis não iam embora. Então decidimos não atrapalhar a vida deles e, se possível, ajudar com comida, etc.”, explica a dona da casa.

Uma peculiaridade marca o casal de pássaros: a fêmea não tem a pata esquerda. Valda conta que uma vez a ave apareceu com uma linha de pipa presa à pata. Após sumir alguns dias, apareceu já sem parte do membro.

“Provavelmente era uma linha com cerol que a machucou e a fez perder a pata. Mas nada que a impeça de cuidar dos filhotes. Por sinal, ela cuida tão bem quando tem uma ninhada que eu preciso andar com um rodinho, sempre venho pro quintal, porque eles avançam em qualquer um queira se aproximar demais do ninho ou quiser mexer nos filhotes”, conta, de forma descontraída, Valda.

Essa, inclusive, é uma característica dos bem-te-vis: o territorialismo e o protecionismo dos filhotes, atacando qualquer animal que procure se aproximar de seu ninho ou seu território, como explica Fernando Magnani, Diretor do Parque Ecológico de São Carlos.

“Bem-te-vis não são agressivos, mas são territorialistas, portanto é natural que avancem contra os invasores de sua área. Mas depois de perceberem que não há risco, conseguem estabelecer um relacionamento de respeito mútuo com o ser humano. Tudo varia de acordo com a convivência, é uma via de mão dupla. Se são bem tratados, não tem motivo para atacar. A rotina sempre faz com que o animal se acostume”, comenta.

Outra característica que chama a atenção, no caso dos bem-te-vis que moram na casa de Valda é o fato das aves terem se estabelecido em vasos, nas paredes da residência, uma vez que elas sempre buscam abrigo em locais mais afastados e altos,, como os transformadores elétricos que ficam nos postes de energia.

“Na natureza o bem-te-vi procura árvores altas e que sustentem seu ninho, como coqueiros. Nas cidades, procuram características semelhantes, como as encontradas no alto dos postes”, aponta Magnani, que

Quem aproveita essa situação é Valda e sua família. Enquanto o casal de bem-te-vis estiver fugindo dos padrões e morando nos vasos da casa, ela aprecia a natureza, com o qual aprendeu a dividir espaço.

Edição Jeferson Vieira

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