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Famílias viviam em condições sub-humanas

28/10/2011 22h11 - Atualizado há 10 anos Publicado por: Redação
Famílias viviam em condições sub-humanas
Eram 9h35 da manhã de ontem (28) quando o comboio formado por dois carros da prefeitura, uma perua da Secretaria de Cidadania e um ônibus escolar chegou à fazenda Palmeira, na rodovia que liga São Carlos-Ribeirão Preto. Os carros estacionaram perto de quatro casebres pintados de amarelo. Na porta da primeira casa, a mais simples de todas, estavam três meninos e na janela uma menina que olha assustada todas aquelas pessoas estranhas ao seu ambiente. Na quinta-feira (27) uma denúncia anônima levou o sub-delegado do Trabalho de São Carlos, Antonio Valério Morillas Júnior, descobrir na fazenda trabalho escravo de crianças no plantio e na colheita de tomates.
 

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Mayara é a menina da janela, tem 12 anos e está a seis meses na fazenda, neste período deixou de lado a escola. Ela cursava a 5ª série do Ensino Fundamental. Trabalhava obrigada na lavoura de tomate. Brincar com os irmãos ou de boneca, ficou apenas nos sonhos. Ela não tem bonecas, e sim mãos cheias de calos, braços picados por inseto. Mesmo com a dificuldade do seu dia-a-dia, não perdeu a doçura e o encanto de criança.

“Vem conhecer minha casa, é muito ruim morar aqui”, disse a menina convidando para conhecer o casebre amarelo. Escuro, sujo e com um cheiro forte. O primeiro cômodo é a sala. Um sofá velho e colchões empilhados no canto.

Enquanto mostrava a sala, Mayara deixou escapar um dos seus sonhos. “Quero ser bióloga”, disse. Mas na sequencia silenciou e falou que seria muito difícil por que estava fora da escola.

3Agora ela mostra a cozinha. Besouros por todo o lado, um fogão a lenha improvisado e algumas panelas. Logo em seguida aponta para o quarto. Um monte de caixas plásticas, as utilizadas para levar verduras, empilhadas em um canto. Quarto escuro, sem janelas. “Aqui a gente dorme, arruma as caixas, coloca o colchão e dorme”, explica Mayara apontando para as caixas. No fundo casa um banheiro aberto apenas um vaso sanitário. Qualquer pessoa que utilizar o banheiro será visto por outras que estão na plantação.

A menina deixa a casa, vai para o quintal, e a criança Mayara, que estava séria, sorri e corre para pegar uma cachorrinha, um filhote de vira lata. Começa a brincar com o animalzinho de estimação. Chegam os irmãos, dois mais velhos e o caçula. Nenhum deles está na escola. Todos trabalham no plantio do tomate, passam agrotóxicos na plantação. O mais velho Rodrigo de 14 anos é fã de Neymar do Santos. “Eu adoro o Neymar, ele joga muito”, conta Rodrigo que não tem nenhuma bola para brincar. O mais calado, com receio e medo era o menor. Marcio, de estava desconfiado de tudo e de todos. Não quis conversar, mas deixou tirar fotos.4

Rogério, é o outro irmão de Mayara. Ele tem 13 anos e estava com a mão e a perna machucada por causa do trabalho. Também não estuda. Parou na 7ª série. “Não quero ficar mais aqui, quero ir para a minha cidade”, dizia o Rogério, com o ar sério de uma pessoa bem mais velha. A família é de Guapiara, região do Vale da Ribeira, local carente e com pouca oferta de emprego. “Lá eu estudava, quero voltar para a escola”, disse. Toda a família de Mayara consegue por mês R$ 600,00 com o trabalho dos pais, Maria Aparecida e seu José. As crianças não recebem nenhum nada pelo tempo passam em condição sub humana na lavoura.

Mais a diante outras famílias são visitadas pelos agentes da prefeitura e do Ministério do Trabalho. Um total de 25 pessoas são retiradas dos casebres e encaminhadas a um hotel na região central de São Carlos.

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