Funcionárias terceirizadas exigem pagamento

11 de fevereiro de 2012


“Queremos pagamento, queremos pagamento!”, pedia o coro de funcionárias da Multiservice, empresa especializada em mão de obra terceirizada, durante a manhã da última sexta-feira (10) na Praça Central do Campus 1 da USP – São Carlos. Isso porque, segundo as manifestantes, que cumprem aviso prévio devido ao cancelamento do contrato da empresa com a universidade, o pagamento está atrasado e elas temem não receber os benefícios da rescisão de contrato.

Indignada, Erica Perpétua da Silva, afirma que há dois anos acorda todos os dias às 5h para chegar pontualmente ao trabalho e que, agora, só reivindica o que já é seu direito. “A gente vem trabalhar honestamente para chegar no final do mês  e não ter pagamento? Não ter vale-transporte?  Estamos todas com dívidas, eu tenho contas para pagar, filhos para sustentar, então fica difícil. A gente tem que trabalhar de graça agora? A USP não está fazendo nada por nós. Eles simplesmente lavaram as mãos, porque cancelaram o contrato com a empresa, então acham que não têm que fazer mais nada. Só estamos lutando pelos nossos direitos”, afirma.

Segundo ela, as tentativas de entrar em contato com a empresa por telefone foram em vão, pois ninguém fornece informações concretas. “Quando não batem o telefone na nossa cara, eles dizem que não sabem de nada, que nada lhes foi passado, que eles estão na mesma situação. É sempre a mesma história e nenhuma solução”, conta Silva.

A colega Claudia Oliveira ressalta que a paralisação não é uma justificativa para não trabalhar, no entanto, elas querem receber o salário pelos serviços prestados. “Temos um monte de contas para pagar e os juros nos bancos estão acabando com nosso dinheiro. Muitas outras funcionárias não estão aqui porque estão com medo de não conseguir serviço em outras empresas. Mas nós, que já faz dois anos que estamos aqui, corremos o risco de não receber um real”, relata.

O supervisor da empresa Emerson também esteve presente no local e garantiu que os pagamentos serão efetuados na próxima segunda-feira, dia 13 de janeiro. “Todas elas já estão cientes disso e não vai sair antes dessa data. Inclusive, quem está parado hoje, não está recebendo pagamento e também não vai ter almoço”, revela.

A declaração foi motivo para acentuar ainda mais a revolta das funcionárias. Foi o que demonstrou Rosangela Tito da Costa Branco: “cadê os nossos direitos? Acordei às 4h da manhã para vir trabalhar, tive que pagar minha própria condução e agora vem nos humilhar e falar que não vai dar almoço? E vai deixar a gente passar fome? Isso é um absurdo, é muita humilhação”, desabafa.

 

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