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Impacto da transformação digital nas empresas e sociedade

É o processo em que empresas usam tecnologias digitais para solucionar problemas tradicionais

21 de Outubro de 2020 às 09:00 Publicado por: Redação
Impacto da transformação digital nas empresas e sociedade Foto: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus “empurrou” todas as empresas para uma digitalização dos seus negócios, desde as mais visíveis como o uso de ferramentas que possibilitam os funcionários trabalharem de casa (teleconferência, cloud computing & storage, medidas de proteção de dados etc) até a automação e digitalização de processos que exigem aplicação e desenvolvimento de ferramentas tecnológicas específicas.

Esse movimento de mudanças nas empresas está sendo considerado como um momento de “transformação digital”, é o processo em que empresas usam tecnologias digitais para solucionar problemas tradicionais, como: quedas no desempenho, produtividade, agilidade e eficácia. Essa transformação deve partir de uma mudança estrutural nas organizações.

O “novo normal” para as empresas, independentemente do tamanho, significa um protagonismo da tecnologia não apenas nos processos, mas também como ferramenta para engajar e se relacionar com seus clientes, o que pode significar a diferença entre a vida e a morte de um negócio.

De acordo com o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP São Carlos), Emerson Chu, as indústrias de São Carlos e região se viram obrigadas a digitalizar muitos de seus processos, como medida de combate ao novo coronavírus. Como por exemplo, funcionários em home office, todos aqueles setores que tinham possibilidade, passaram a funcionar com trabalho remoto. Com isso, não só os processos passaram a ser digital, mas também as reuniões.

Chu disse também que a segurança dos dados das empresas precisou ser aprimorada, por causa do trabalho remoto. “Os procedimentos de segurança virtual, em muitas empresas, tiveram que ser aprimorados, para garantir a segurança de dados, mesmo com os funcionários em home office. Agora, mais de seis meses após o início da pandemia, muitas empresas estão adaptadas a essa digitalização, já que foram obrigadas a encontrar alternativas para sobreviver e a maioria das possibilidades nasceu desse processo virtual”, ressaltou.

O diretor Chu comentou que o processo de transformação digital já vinha ocorrendo em muitos setores das indústrias. “O processo de transformação digital já acontecia nos setores de vendas, TI, recursos humanos, controladoria, suporte técnico, SAC, entre outros, que não necessitam estar ao lado do chão de fábrica. E nos casos em que essa digitalização já tinha sido iniciada, a pandemia acabou acelerando o processo”, salientou.

O comércio de São Carlos também teve muitas iniciativas de transformação digital, principalmente as empresas do ramo alimentício que tiveram que se reinventar nas vendas, utilizando o delivery (entrega sob encomenda), como uma maneira de sobrevivência da empresa na pandemia. Outras tiveram que lançar plataformas digitais, conhecidas como e-commerce, segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de São Carlos (ACISC), José Fernando Domingues.

De acordo com ele, a entidade lançou uma ferramenta para alavancar as vendas pela internet, o ACISC Commerce para todos os seus associados, realizando uma verdadeira transformação no comércio local, entre outras ações digitais para auxiliar os comerciantes e facilitar o acesso dos consumidores aos produtos durante a pandemia.

Já o Leandro Palmieri, co-fundador do Onovolab, disse que a transformação digital ganhou destaque no mundo corporativo nos últimos 5 anos em decorrência da necessidade das empresas de acelerar sua participação no mundo digital. “Mas vale lembrar que a World Wide Web como conhecemos já existe há 30 anos, portanto o processo de digitalização não é recente. A pandemia simplesmente acelerou a necessidade das empresas e de pessoas em adotar a internet como forma de fazer negócios e tornar a vida mais prática, seja fazendo uma reunião virtual ou até mesmo comprando em um e-commerce. O que a digitalização tem provocado é muito mais uma mudança de comportamento do indivíduo, que vê com mais clareza a necessidade e o benefício do online, fazendo com que as empresas acelerem aquilo que já estava planejado para daqui há algum tempo”, afirmou.

Palmieri ressaltou que o acesso ao digital ainda é para poucos brasileiros, devido ao comportamento brasileiro e de desigualdade social. “Apesar de sermos um país referência em tecnologia bancária, somos um país com aproximadamente 45 milhões de pessoas desbancarizadas ainda, ou seja, pessoas que movimentam dinheiro em cédulas. Com base nesse dado imagine quantas pessoas ainda não possuem cartão de crédito, ou plano de dados móvel para utilização de internet. Acredito que cada vez mais as empresas brasileiras estão trabalhando para acelerar a adoção digital e não ficar devendo em nada para países da Europa ou Estados Unidos e as startups estão ajudando muito nessa missão”, salientou.

Mas existe um “Gap” social muito grande no país que faz com que as pessoas “usuários comuns” ainda não tenham acesso à internet móvel, cartão de crédito, conta bancária e possam fazer transações pela internet, segundo Palmieri.

Exemplos de transformação digital

Um dos exemplos de transformação digital foi na educação com as aulas por ensino a distância, por causa do coronavírus as aulas presenciais no Estado de São Paulo foram interrompidas em março. A Diretoria Regional de Ensino de São Carlos (DER) teve que se reorganizar para a nova situação causada pelo coronavírus (Covid-19). “E aí nós tivemos que pensar diferente e colocar a inteligência para funcionar na máxima capacidade –  todos nós, alunos, professores, diretores até os órgãos centrais,” relatou a dirigente regional de ensino de São Carlos, Débora Blanco.

A partir do anúncio da suspensão das aulas presencias começaram as movimentações para o ensino à distância na região. A DER preparou um site exclusivo para convivência virtual das equipes pedagógicas, as escolas organizaram páginas em redes sociais e grupos em aplicativos de mensagens, os professores começaram a se familiarizar com as ferramentas de ensino à distância e a criar materiais digitais para as aulas, de acordo com Débora.

Outro exemplo antecipado de espaço para as empresas desenvolverem seus produtos digitais, foi o surgimento do Onovolab. “Quando criamos o Onovolab imaginamos que ali seria um grande laboratório para o surgimento de empresas e desenvolvimento de ideias e isso tem acontecido com sucesso. Hoje são 75 empresas sediadas no ONOVOLAB. Muitas delas nasceram do zero, a partir de um bate-papo entre empreendedores, como é o caso da startup Onii, que criou lojas de conveniências 100% autônomas dentro de condomínios”, explicou Palmieri.

A Monitora, uma empresa de tecnologia sediada em São Carlos, é outro exemplo que ajudou na transformação digital das empresas na pandemia. “A pandemia foi um grande catalisador da digitalização. Isso porque, com o distanciamento social os consumidores se viram forçados a alterarem radicalmente seus hábitos de consumo. Comprar pela internet, que era algo esporádico, passou a ser parte do dia-a-dia de todos. Dessa forma todas as empresas se viram lançadas nesse novo cenário onde digitalizar passou a ser uma questão de sobrevivência. Nesse momento, empresas de todos os setores têm nos procurado buscando ferramentas tecnológicas para transformar seus negócios”, explicou Marcos Chiodi, Diretor executivo da Monitora.

De acordo com Chiodi, as empresas dos mais diversos segmentos como serviços financeiros, turismo e hospitalidade, agronegócio, prestadores de serviços, construção civil, agências de comunicação e startups, estão hoje desenvolvendo conosco suas soluções para saírem na frente de seus concorrentes ou, simplesmente, para atenderem seus clientes e continuar faturando.

Acredito que essa demanda continuará alta por muito mais tempo, mesmo após o fim da pandemia, pois o Brasil tem um baixo nível de digitalização quando comparado aos outros países do mundo e, com isso, os profissionais de TI continuarão como os protagonistas dessa transformação, segundo Chiodi.

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