Cidades

Jogos de videogames geram violência?


A notícia de que um adolescente de 16 anos teria matado a própria avó com cinco facadas na semana passada, em Pirassununga (SP), porque, de acordo com a Polícia Militar, foi impedido de jogar videogame – no caso, o jogo GTA (Grand Theft Auto), em que o jogador furta veículos e agride pessoas – trouxe à tona uma antiga polêmica: jogos violentos geram comportamento violento?

De acordo com Maria Cristina Di Lollo, psicóloga do Departamento de Psicologia da Ufscar, é muito difícil estabelecer uma relação direta entre ambos. Ela afirma que o ser humano é violento por natureza e que, portanto, não se pode garantir que os jogos de videogame são os responsáveis por condutas violentas. “Proibir o uso do videogame, por exemplo, não vai evitar o problema. Não adianta achar que o jogo é a causa do comportamento violento da criança ou do adolescente. É necessário analisar o histórico do paciente, observar se ele já apresentava problemas, qual a sua história de vida, quais fatores influenciaram na construção de sua personalidade”, ressalta.

Segundo ela, a recomendação é que os pais cuidem do desenvolvimento dos filhos de maneira geral e procurem algum tipo de auxílio quando notarem que o filho tem dificuldades de interação social. “Muitos pais não se preocupam, por exemplo, que seus filhos fiquem trancados o dia inteiro no quarto estudando. Mas, na verdade, tudo em excesso é prejudicial, seja o estudo, o esporte, o videogame. Por isso,quando eles acharem que algo está errado, orientamos que vejam essa reclusão como um sinal de alerta e procurem psicólogos em algum posto de saúde ou pedagogos na escola, para que saibam como conduzir a situação”, explica Di Lollo.

Para a psicóloga jogar videogame pode ser, inclusive, algo positivo, como uma maneira que o adolescente encontra de descontar suas frustrações, de descarregar a violência que guarda dentro de si. “Uns optam pelo esporte, outros pelo videogame. Claro, o abuso de uma mesma atividade é maléfico e por isso, é fundamental estimular o jovem a realizar atividades diversas, mas sempre de maneira comedida”, recomenda.

Em uma pesquisa elaborada pelas psicólogas Andrea Hurtado e Larissa Muniz intitulada “A Influência dos Jogos Eletrônicos Violentos nos Adolescente”, na qual foram entrevistados 20 estudantes do sexo masculino do ensino médio do Colégio Sapiens, entre 15 e 18 anos, não foi constatado qualquer indício de que jogos violentos provocassem mudanças consideráveis no comportamento de usuários de videogames. Isso porque, segundo o estudo, metade dos alunos questionados possui bom comportamento dentro do ambiente escolar e estão dentre aqueles que mais utilizam os jogos eletrônicos categorizados como “violentos”.

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