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Mãe diz que Yasmin não fez sorologia e hemograma para comprovar dengue

08 de Maio de 2015 às 12:05 Publicado por: Redação
Mãe diz que Yasmin não fez sorologia e hemograma para comprovar dengue

O Instituto Adolfo Lutz confirmou que a garota Yasmin Postacchine, de 12 anos, estava com dengue em 8 de abril, data da sua morte. Cautelosa, a Secretaria Municipal de Saúde aguarda o laudo do Serviço de Verificação de Óbito (SVO), de Américo Brasiliense, para comprovar a doença.

A reportagem do Primeira Página conversou com Marina Bueno Postacchine, a mãe da adolescente. Traumatizada pela morte da filha, ela está hospedada na casa de parentes, em Dourado. Na conversa estabelecida por telefone durante 30 minutos, Marina confirma que a filha fez apenas a prova do laço, teste utilizado para detectar a dengue hemorrágica. “Infelizmente não fizeram a sorologia e o hemograma”, lamentou.

Marina relatou o caminho que teve de percorrer nos dias que antecederam a morte de Yasmin. Medicada com antibióticos, a febre não cessou, segundo a mãe da jovem. Os primeiros sintomas foram constatados em Dourado, no dia 2 de abril. No dia seguinte, ela foi ao hospital da cidade. “Lá é que constataram uma infecção de garganta e receitaram os antibióticos, que não cortaram a febre”, ratificou Marina.

Já no domingo, em São Carlos, ela foi à Unidade de Pronto Atendimento do Santa Felícia (UPA). “Passei por duas vezes na UPA, mas não fizeram a sorologia e o hemograma para constatarem se o caso era dengue. Diante do quadro de epidemia, outros exames deveriam ser feitos”, acredita Marina.

O calvário da família – e da própria Yasmin – se estendeu por mais dois dias. Na terça-feira, 7, a garota começou a vomitar. Marina acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas o socorro não veio. “Desesperada, chamei um táxi e a levei novamente à UPA. Aplicaram a medicação e dispensaram a Yasmin. Fomos para casa. A minha filha estava com dores e cólicas, mesmo assim dormiu e às 11h30 do dia seguinte confirmei que ela estava morta”, desabafou.

OUTRO LADO – Em nota, a Secretaria de Saúde informou que não recebeu o laudo do SVO sobre a causa da morte da jovem. “Sobre o tratamento por ela recebido, a Secretaria informa que foi dentro dos padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Qualquer conclusão antes do laudo do SVO trata-se de especulação”.

 

Morte de Yasmin pode ser a segunda por dengue 

Além do caso de Yasmin Postacchine, que ainda aguarda um segundo laudo para confirmar a morte por dengue, em março São Carlos registrou o primeiro óbito por conta da doença.

O encarregado de marmoraria Gilson Alves, 40 anos, morreu no dia 18. Após apresentar os sintomas da dengue, Gilson continuou doente e procurou, por várias vezes, uma unidade de saúde. A família, no entanto, relatou que as idas ao hospital não adiantaram. 

Em função da piora no quadro de saúde, Alves foi internado no dia 16 do mesmo mês. Segundo vizinhos de Gilson, ele precisou ser carregado até o carro, pois não conseguia se mover. Na noite do dia 17 o homem teve uma hemorragia e morreu.

Na ocasião, a tia de Gilson, Marta Moreira de Oliveira, disse que ele sempre foi saudável e nunca apresentou problemas de saúde. Porém, nos últimos 15 dias de vida, começou a passar mal e foi várias vezes a UPA e ao Hospital Escola. “Ele foi duas vezes a UPA e mandaram para a casa, também foi no Hospital Escola, deram soro e mandaram para a casa. Ele passou muito mal e no domingo precisou ser levado para Santa Casa sem mexer as pernas”, explicou.

 

Bem perto da casa de Yasmin, o descaso

Na rua Domingos Diegues, a 100 metros da casa da família de Yasmin Postacchine, uma cena que escancara o descaso da população à prevenção da dengue. Em um terreno vazio, a reportagem do Primeira Página encontrou restos de construção civil, lixo doméstico e até um carro abandonado em meio ao mato.

“Pedem para a gente limpar o terreno, não deixar potes que acumulem água no quintal de casa, mas tem gente que não liga para nada”, reclamou Maria das Dores Pereira. Na opinião dela, a população e a Prefeitura têm de trabalhar em conjunto para a limpeza da cidade.

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