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Novo aumento do combustível trará alta no valor de serviços

Entidades de motoristas de transporte de carga e passageiros por aplicativo falam do efeito-dominó que vai interferir na alta de preços

26/10/2021 12h40 - Atualizado há 1 mês Publicado por: Redação
Novo aumento do combustível trará alta no valor de serviços Fotos: Divulgação
Reportagem: Hever Costa Lima

O presidente da Federação dos Caminhoneiros de São Paulo, Claudinei Pellegrini, o Pico, manifestou a posição da instituição depois do sétimo aumento de combustíveis ocorrido no ano, sendo este o segundo do mês. O aumento será de 7,04% para a gasolina e de 9,15% para o diesel.

No ano, o diesel já acumula alta de 65,3% nas refinarias. Já a gasolina subiu 73,4% no mesmo período. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mostra a valorização para o consumidor, as altas em 12 meses foram de 33,05% e 39,6%, respectivamente.

Para Pelegrini, em qualquer tempo, aumentar o custo de insumos, como o óleo diesel, causa grandes problemas para o transportador autônomo de cargas, principalmente porque o valor do frete não acompanha o aumento.

“Entretanto, em tempos de insegurança econômica e institucional, como o que estamos vivendo, com milhares de pais de família perdendo seus empregos, esses problemas são maiores e ampliados; principalmente porque o custo de vida de todos sofre um aumento, que a maioria, desempregada ou com os salários congelados e até mesmo diminuídos, não consegue suportar”.

Pellegrini afirmou que a categoria está em negociação com o Ministério da Infraestrutura, responsável pelas políticas nacionais de trânsito e de transportes, para rever o gatilho de aumento do frete, que é acionado quando o reajuste do combustível for igual ou superior a 10%. “A ideia é reduzir a porcentagem para que o gatilho já seja acionado”.

A Petrobras explica que até chegar ao consumidor são acrescidos tributos federais e estaduais, custos para aquisição e mistura obrigatória de biocombustíveis, além das margens brutas das companhias distribuidoras e dos postos revendedores de combustíveis.

Nos postos, o preço médio da gasolina ficou em R$ 6,36 o litro na semana passada, com o valor máximo chegando a R$ 7,46, de acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O óleo diesel, por sua vez, registrou preço médio de R$ 5,04 e máximo de R$ 6,42 o litro.

Na avaliação de Pelegrini, haverá um empobrecimento contínuo da população em geral e, no caso do transportador autônomo de cargas, uma redução drástica em seus ganhos com fretes já tão minguados, veículos rodando sem a devida manutenção, veículos velhos que gastam muito mais e famílias à beira da miséria.

“Uma bola de neve provocada pela insensibilidade daqueles que são os responsáveis pela condução da política econômica no país, seja no nível estadual ou federal”.

APP – Outro segmento que protesta contra o sucessivo aumento de combustível são os motoristas de aplicativo que acreditam que a profissão corre risco de se esvaziar. “É pra acabar de matar a nossa categoria”, disse o presidente da Associação dos Motoristas por Aplicativo Autônomo de São Carlos e Região (AMASC), Marcelo Clayton dos Santos.

Segundo ele, a cooperativa terá de subir o valor do serviço, o que impacta no preço final. A AMASC, que usa um aplicativo próprio de gerenciamento, cobra do motorista 12% da corrida para a manutenção do funcionamento do app. “Nós ainda repassamos um valor maior das corridas aos motoristas. Já noutros serviços o desconto é muito superior. O que torna o negócio inviável”.

Marcelo ainda falou que a alta do combustível tem feito o motorista desistir e cancelar a corrida, deixando o passageiro mais tempo esperando quem aceite prestar o serviço.

CADEIA – Pelegrini explicou que o efeito-dominó atinge toda a rede de consumo, com o aumento do pedágio e demais insumos como pneus e peças automotivas e custeio da viagem. “E de outro lado os fretes diminuem e o transportador autônomo de cargas e suas famílias empobrecem”.

A Petrobras afirmou em nota que: “Esses ajustes são importantes para garantir que o mercado siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras”

Justificativa

Petróleo e dólar em patamares mais elevados

A explicação para o aumento dos preços dos combustíveis está em vários fatores, mas, principalmente, no valor do petróleo e no câmbio.

O dólar e a cotação do petróleo vêm tendo mais influência sobre os preços de combustíveis no Brasil desde 2016, quando a Petrobras passou a praticar o Preço de Paridade Internacional (PPI), que se orienta pelas flutuações do mercado internacional.

Na semana passada, o preço do barril de petróleo Brent – referência internacional – fechou acima em US$85,53, perto das máximas desde o final de 2018. No começo do ano, o preço médio estava abaixo de US$65.

Já o dólar atingiu R$ 5,6282, acumulando alta de mais de 3% na semana.

Segundo a Petrobras, o alinhamento de preços ao mercado internacional “se mostra especialmente relevante no momento que vivenciamos, com a demanda atípica recebida pela Petrobras para o mês de novembro de 2021”.

FORMAÇÃO DE PREÇOS

A formação do preço dos combustíveis é composta pelo preço exercido pela Petrobras nas refinarias, mais tributos federais (PIS/Pasep, Cofins e Cide) e estadual (ICMS), além do custo de distribuição e revenda.

Há ainda o custo do etanol anidro na gasolina, e o diesel tem a incidência do biodiesel. As variações de todos esses itens são o que determina o quanto o combustível vai custar nas bombas.

O principal ‘motor’ das altas da gasolina e do diesel vem sendo o real desvalorizado. Até a última sexta-feira (22), o dólar – moeda à qual o valor do petróleo é atrelado – acumulava alta de 8,5% sobre o real este ano.

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