Cidades

Pesquisa visa identificar novo coronavírus em esgoto


Objetivo é criar ferramenta de vigilância epidemiológica com base em georreferenciamento

O pesquisador do Instituto Internacional de Ecologia, José Augusto Garcia, que é mestre em química pela UFSCar, conduz um projeto que tem como objetivo identificar fragmentos de RNA do novo coronavírus no esgoto. Ele funciona a partir da coleta de amostra da rede de esgoto ou em uma estação de tratamento de efluentes (ETE). A coleta é feita por uma equipe qualificada, de forma segura.

O objetivo é criar uma ferramenta de vigilância epidemiológica criando mapas da cidade, a partir do local de coleta e com isso ter uma boa precisão de onde o surto está mais localizado. “Nós também temos colaboração da UFSCar e SAAE para fazer um georreferenciamento para saber onde está a maior concentração do vírus na cidade, sem precisar testar muitas pessoas para isso”, salienta Garcia.

Após a coleta, a amostra é levada até o laboratório onde será submetida ao pré-tratamento. O objetivo desta etapa é concentrar o material genético do vírus e eliminar da matriz o material que não é de interesse para o diagnóstico, como, por exemplo, detritos e células bacterianas. O diagnóstico para a presença do SARSCoV-2 é realizado pela tecnologia Point of Care Testing (PoCT) RT-PCR, o qual é capaz detectar fragmentos do RNA do vírus na amostra. O teste é feito em curto espaço de tempo, em menos de 24 h, já é possível ter o resultado.

“Nós estamos em fase de pesquisa. Mas já é possível realizar os ensaios de presença do Covid-19 em águas de esgoto de um local mais controlado, como em empresas, por exemplo. Temos dados suficientes para montar um protocolo para esse tipo de ambiente. É possível ver, de acordo com a coleta, se existe alguém contaminado com covid-19”.

Para Garcia, com um protocolo padronizado e otimizado será possível gerar dados de forma confiável e, consequentemente, realizar estudos para mapear a presença do vírus em uma determinada região utilizando abordagens baseadas em métodos de georreferenciamento. “O protocolo deverá estar pronto em um mês, pois a pesquisa está bastante avançada. Após essa etapa, caberá ao poder público a decidir sobre utilização do protocolo nos bairros”.

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