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Polícia abre inquérito para investigar morte de criança de 1 ano

07/12/2015 23h48 - Atualizado há 5 anos Publicado por: Redação
Polícia abre inquérito para investigar morte de criança de 1 ano

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte do garoto Rafael Tundisi, de apenas um ano e três meses. Ele morreu após passar por atendimento médico no 24 horas da Unimed e na Santa Casa.

Na última sexta-feira, 4, o pai do garoto, Luiz Eduardo M. Tundisi, acompanhado de sua advogada, compareceu no 3º/5º Distrito Policial onde narrou os fatos ao delegado responsável, Aldo Donizetti Del Santo, que registrou a ocorrência como homicídio culposo, quando não existe a intenção de matar.

De acordo com Tundisi, ele e a esposa, Denise Soares Cacha, resolveram procurar a polícia para saber realmente o que aconteceu no atendimento do Rafael. “Nós fizemos o Boletim de Ocorrência (BO) porque eu quero uma investigação não só na questão dos diagnósticos, da demora. Eu quero saber também por que foi com pouca urgência para a Santa Casa. Quero saber o que aconteceu dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI)”, contou Tundisi.

A demora no registro da ocorrência se deu pelo fato de os pais precisarem recuperar forças pela perda do filho. “Estávamos adquirindo forças, que não temos ainda. Ficou um espaço vazio. Eu esperei, respeitei o sétimo dia, estamos de luto ainda. Mas eu também não posso deixar, discuti muito isso com a minha família, com os nossos advogados. Nós temos um nome, temos procedência, somos de boa índole e eu não posso deixar que outros pais passem por isso. Eu vou lutar para que aconteça o menos possível. Não é questão de dinheiro: a primeira coisa é cadeia, como está acontecendo na politica”, ressaltou Tundisi. “A situação na saúde no Brasil está grave, esperei um pouco para ter forças e fazer o BO e poder dar entrevistas e ir para a Justiça”, completou.

A luta da família é para evitar que isso aconteça com outras crianças e outros pais não sofram a mesma dor que a deles. “Vou fazer pelo Rafael e pelos outros pais, pois sei que houve outros pais que passaram por isso. Vamos lutar para que outros pais não passem pelo que estamos passando. A enfermeira-chefe falou que meu filho estava com manha e minha esposa estava assustada. Eu nunca vou esquecer isso. Vamos tomar todas as atitudes possíveis para que os responsáveis sejam punidos, mas eu quero ver cadeia. Não é pintar muro, quero ver a pessoa na cadeia como está acontecendo na política. Por que não acontece na área da saúde? porque eu acho que se prender um ou dois, vão começar a aparecer as coisas. Na cadeia mesmo, atrás das grades”, finalizou Tundisi. (Colaborou: Fábio Taconelli)

 

 

Pais do garoto alegam que houve negligência no atendimento

 

 

Os pais do garoto Rafael Tundisi, de apenas um ano e três meses, que morreu vítima de meningite bacteriana, após passar por atendimento no 24 Horas da Unimed e na Santa Casa, alegam que pode ter acontecido negligência no atendimento do garoto.

De acordo com o pai do menino, Luiz Eduardo Tundisi, Rafael teve um quadro de virose do dia 13 para o dia 14 de novembro. Quando foi umas 9h30 no dia 14, um sábado, liguei para a médica pediatra dele que disse que estaria fora a semana toda e pedi para que me indicasse um segundo médico, mas ela achou melhor levar no 24 Horas, resolvi levar”, lembra.  “Como não tinha diferença nenhuma das outras viroses, mas resolvi levar. Então quando foi 10h30, ele internou com suspeita de virose, fez exame de sangue, o protocolo, do jeito que tinha que ser feito e ficou internado até às 18h. Foi examinado por dois médicos plantonistas pediatras. O segundo médico disse que estava com gastroenterite e receitou um remédio e se vomitasse, para voltar para ao 24 Horas”, completou.

O pai do garoto diz que como Rafael voltou a vomitar, ele e sua esposa levaram novamente o menino até o 24 Horas. “Aconteceu de ele vomitar, demos o remédio, não funcionou, voltamos para o 24 Horas, tinha outra médica, de plantão. Já atendeu e prosseguiu a internação de lá para a Santa Casa, o Rafael foi de ambulância”, disse Tundisi.  “A questão é que a internação no sábado, dia 14, todo não teve um diagnóstico certo do problema. Era com urgência e quando saiu do 24 Horas para Santa Casa, saiu com pouca urgência. Não entendi o porquê o médico de plantão fez isso e só receitou um remédio para cortar o vômito”, continuou.

Tundisi disse que quando chegou a Santa Casa, não havia nenhum médico pediatra plantonista. “O médico plantonista não estava lá. A enfermeira-chefe não quis ligar para ele. A gente forçou, mas não ligou. Pedimos novamente para chamar o médico plantonista ou o médico-chefe da UTI e a enfermeira-chefe frisou bem que não poderia chamá-los, pois se o Rafael não tivesse nada, eles ficariam bravos com ela”, enfatizou.

 

 

MENINGITE

 

Quando o médico plantonista chegou, levou a criança para fazer o teste para saber se tinha meningite. “O médico plantonista chegou, no momento que ele viu o Rafael, foi fazer o exame de garganta, o Rafael já tinha travado e foi para a UTI para colher o líquido e ver se era meningite”, falou Tundisi. “Nesse momento o médico responsável disse que não era, porque o líquor estava com uma cor clara, mas era suspeito, e eu fiquei 40 minutos esperando o quarto. Após esses 40 minutos, o médico me chamou e eu tive que ir para a UTI correndo porque ele estava em coma, entubado, não vi o que foi feito na UTI, não vi o procedimento na UTI”, alega o pai do garoto.

Tundisi revelou que quis chamar um médico particular. “Me disseram que não podia porque o Rafael já estava internado pelo plano de saúde e nenhum particular poderia entrar lá, quero quebrar esse monopólio”.

Diante da situação que presenciaram e viveram, os pais de Rafael alertam os outros pais. “Que lição eu acho que a gente pode tirar de tudo isso? Pediatra a gente tem que ter dois ou três e infelizmente existe a ética médica. Demora no diagnóstico, ninguém fez teste nenhum nele. Só o exame de sangue, não foi feito absolutamente nada, só internou com urgência. E o pior de tudo, pouca urgência, isso eu vi no prontuário dele, sem médico na Santa Casa, quer dizer, quando internarem o filho de vocês, exijam um médico”, encerrou. (Colaborou: Fábio Taconelli)

 

 

A nota da Unimed

 

 

 A UNIMED SÃO CARLOS vem por meio desta informar que, com relação aos fatos noticiados sobre a criança, vítima de Meningite, atendida no Hospital Unimed e, posteriormente internada na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos, a Unimed disponibilizou os prontuários solicitados pelos familiares, em 1º de dezembro de 2015, colocando-se à disposição para qualquer outra providência complementar, caso necessária.

Ressaltamos ainda que, a despeito da situação retratar doença grave, com alta taxa de mortalidade e diagnóstico difícil, a Unimed São Carlos não está medindo esforços objetivando a completa apuração dos fatos.  (Assessoria de Comunicação/Unimed São Carlos)

 

 

Santa Casa

 

A assessoria da Santa Casa informou que, como o paciente deu entrada no hospital via convênio, quem responde pelo caso é a Unimed. Confira a nota:

“A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos vem a público informar à população de São Carlos e região que tomou ciência das denúncias da família do menor Rafael Tundisi e que, como sua internação, ocorreu por meio do convenio Unimed, a instituição está apurando os fatos para posterior manifestação pública”.

 

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