Cidades

Procura cresce mais de 50% nos últimos cinco anos


Segundo dados divulgados pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnologia do Ministério da Educação (Setec-MEC), a procura pela educação técnica profissional cresceu mais de 50% nos últimos cinco anos no Brasil. Em 2010, o Senai, por exemplo, registrou 86.143 matrículas no ensino técnico, enquanto em 2011, o número subiu para 149.243 alunos matriculados, o que representa um aumento 73%.

De acordo com o consultor de mercado Francisco Soares, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), lançado em outubro de 2011 pela presidente Dilma Rousseff, e a criação do Programa Rede Ensino Médio Técnico pelo governo do Estado de São Paulo são dois fatores que podem ter contribuído para o cenário. Além disso, ele explica que a demanda por mão de obra qualificada em determinados setores, como é o caso da contrução civil, também impulsionaram a procura.

Soares afirma que os investimentos para a ampliação da rede do ensino técnico evidenciam uma transformação do paradigma da educação superior. “Existia uma crença de que o diploma universitário era a única maneira de se ter um bom desempenho na sociedade. Mas a realidade mercadológica nacional mostra que a absorção de profissionais que optam pelo ensino profissionalizante é maior do que aqueles que optaram pelo ensino superior”, ressalta.

Da mesma opinião compartilha Jurandir dos Santos, gerente do Senac São Carlos, que percebeu nos últimos anos uma maior valorização dessa modalidade de ensino tanto por parte de empresas e alunos, como também pelos governos. “O fato é que os cursos técnicos são opções muito interessantes e rápidas para inserção ao mercado de trabalho. Cerca de 90% dos alunos egressos conseguem emprego nas áreas que escolheram. Hoje, a formação técnica está muito alinhada ao empreendedorismo e aos avanços da tecnologia. Tudo isso faz a diferença na atuação desses profissionais em equipes multidisciplinares, em resposta a um mundo cada vez mais cambiante e veloz”, afirma.

Santos acredita que o desprestígio por quem optou pela educação profissionalizante ao invés do ensino superior é um quadro que está mudando, o que é motivo de comemoração. “Há cerca de 100 anos a educação profissionalizante foi criada de forma discriminatória. Era uma formação inicial para atender a demanda das classes trabalhadoras, enquanto o superior era relegado à manutenção das elites. Atualmente, encontramos cada vez mais profissionais egressos dos cursos técnicos nas empresas, valorizados e bem remunerados”, ressalta.

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