Santa Casa alega queda em internações por plano de saúde

11 de agosto de 2019


De um ano e meio pra cá, o número de internações na Santa Casa, pelo plano de saúde, diminuiu 12%. A queda nas cirurgias foi ainda maior, 50%

A Santa Casa/Unimed vem de uma parceria há mais de duas décadas, considerando que nos últimos anos, com a política de verticalização adotada pela Unimed, a operadora tem direcionado todo seu atendimento para o próprio hospital. Em face desta política de direcionamento dos usuários, a Santa Casa de São Carlos teve uma redução no faturamento com a referida operadora de mais de 50%, ou seja, no passado, onde chegou-se a faturar próximo a R$ 4 milhões, hoje esse faturamento caiu para pouco mais de R$ 2milhões. Isso porque, pelo contrato firmado até então, 101 leitos do hospital estão reservados para a operadora de saúde, mas apesar da reserva ser do total de leitos, só são pagos os que forem ocupados com algum tipo de internação.

E o problema está justamente aí: a taxa de ocupação atual gira em torno de 60%. Os 40% restantes ficam vazios e não podem ser destinados a outro plano de saúde nem ao SUS, causando um enorme desconforto aos usuários do hospital.

Justamente por causa desse cenário, é que a Santa Casa propôs à Unimed uma mudança dos moldes atual do contrato: “Outras operadoras de saúde, como a AMIL, por exemplo, internam paciente em nosso hospital e é a Santa Casa quem faz o atendimento completo, os exames, tudo mais. E o valor gasto da conta hospitalar é repassado pra eles. Dessa forma, nenhum leito fica ocioso. E em momento algum a Santa Casa de São Carlos deixará de prestar atendimentos às operadoras e cooperativas de saúde, e ai inclui-se também a Unimed, mas agora dentro das regras do hospital.”, explica o superintendente da Santa Casa, Daniel Bonini.

Essa mudança no contrato é só uma das muitas ações que fazem parte da política de reestruturação da Santa Casa, que começou em 2017, não só da operadora Unimed, bem como de outras como São Francisco, Amil , Bradesco , Sulamerica , Porto Seguro etc. O hospital é responsável pelo atendimento, além de São Carlos, de outros cinco municípios (Descalvado, Dourado, Ibaté, Porto Ferreira e Ribeirão Bonito), num total de 400 mil habitantes. Só que para cada R$ 1,00 gasto pelo hospital para executar o serviço prestado ao SUS, o hospital recebe apenas R$ 0,60.  Mesmo assim, a Santa Casa conseguiu além de equilibrar as contas, outros muitos avanços: os atendimentos médicos de urgência aumentaram 64%, passando de 3.600 para mais de 6 mil por mês. E o tempo de espera diminuiu mais de 60%. As cirurgias eletivas também aumentaram quase 60%: hoje são feitas, em média, 500 por mês, enquanto, no começo de 2017, eram menos de 300.

Reestruturação

Pra dar continuidade a essa reestruturação, a Santa Casa deve fazer parcerias com outras operadoras que queiram vir pra São Carlos, e ajustar as parcerias existentes. Além disso, assim como a Unimed está se preparando para ter um hospital próprio, a Santa Casa também está criando um plano de saúde próprio, que deve começar a operar ainda este ano: “Fazemos parte de um seleto grupo de pouco mais de 60 hospitais estruturantes – de atendimento regional – do Estado de São Paulo. Temos muitos serviços de altíssima qualidade. Fomos pioneiros no interior de São Paulo, por exemplo, no uso de um equipamento de radioterapia de última geração no tratamento do câncer, antes mesmo de Barretos. Ao abrir um plano próprio, vamos oferecer isso. E a ideia é melhorar também a saúde de quem depende do SUS, já que os recursos da operadora da Santa Casa vão ser revertidos pro próprio hospital. E com isso, podemos diminuir também o impacto da defasagem da tabela SUS e investir em mais serviços de qualidade”, conclui provedor do hospital, Antonio Valério Morillas Júnior.

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