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UFSCar e empresa de São Carlos desenvolvem tecido capaz de eliminar o coronavírus por contato

23/06/2020 07h59 - Atualizado há 1 ano Publicado por: Redação
UFSCar e empresa de São Carlos desenvolvem tecido capaz de eliminar o coronavírus por contato Foto: Divulgação / CDMF UFSCar

Em testes de laboratório, o material foi capaz de eliminar 99,9% da quantidade do vírus após dois minutos de contato; produto deve chegar ao mercado em julho

Pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um tecido com nanopartículas de prata e sílica na superfície capaz de inativar o coronavírus. Em testes de laboratório, o material eliminou 99,9% da quantidade do vírus após dois minutos de contato.

O desenvolvimento do material teve a colaboração de uma empresa de tecnologia de São Carlos, a Nanox, além de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e da Universitat Jaume I, da Espanha.

“A Nanox fábrica há mais de 15 anos as micropartículas de prata, com principal efeito bactericida e fungicida. O potencial antiviral já é conhecido na literatura científica, mas não provado. Quando surgiu a pandemia, resolvemos testar o produto em um tecido. Então, nós incorporamos um líquido no processo de fabricação do tecido em uma tecelagem em Americana”, explicou Luiz Gustavo Pagotto Simões, diretor da Nanox.

“A caracterização do material foi realizada por Microscopia Eletrônica e outros equipamentos pelo laboratório do professor Elson, diretor do CDMF, para mostrar a fixação do líquido no tecido. Depois, o tecido foi encaminhado ao ICB da USP para fazer o teste por PCR do vírus responsável por causar a Covid-19, o SARS-CoV-2”, ressaltou Pagotto.

Para a realização dos testes, amostras do material, composto por uma mistura de poliéster e algodão (polycotton), impregnado com dois tipos de micropartículas de prata por meio de um processo de imersão, seguido de secagem e fixação, chamado pad-dry-cure, foi capaz de eliminar até 99,9% da quantidade do vírus após dois minutos de contato.

“O teste foi realizado no ICB-USP, comparando os  tecidos com e sem o nosso produto, e no tecido com nossos produtos, você observa a redução da carga viral do SARS-CoV-2 em 99%. Então o material fica impregnado no tecido e traz essa proteção para o usuário. O material impregnado no tecido dura até 20 lavagens sem perder essa propriedade de matar o vírus do coronavírus”, explicou o diretor da Nanox.

“A quantidade de vírus que colocamos nos tubos em contato com o tecido é muito superior à que uma máscara de proteção é exposta e, mesmo assim, o material foi capaz de eliminar o vírus com essa eficácia”, afirmou em entrevista à Agência Fapesp, Lucio Freitas Junior, pesquisador do laboratório de biossegurança de nível 3 (NB3) do ICB-USP.

De acordo com o diretor da Nanox, o material já está pronto, e as fábricas de tecidos, já testaram o produto, e provavelmente no começo de julho algumas tecelagens vão lançar o tecido que mata a Covid-19 no mercado, na forma de camisetas, jalecos, máscaras, e outros produtos.

Pagotto afirmou que existe a possibilidade de doação de uma parte da produção para os hospitais. “Na verdade, depois que fechar com algum cliente que vai fabricar qualquer produto do tecido, então a gente vai alinhar com a empresa para fazer uma doação de uma parte da produção desses produtos”, finalizou.

De acordo com o diretor do CDMF da UFSCar, professor Elson Longo, além de tecidos, a Nanox está testando agora a capacidade de inativação do novo coronavírus pelas micropartículas de prata incorporadas à superfície de outros materiais, como filmes plásticos e polímero flexível.

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