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Vítimas de agressão: mulheres voltam a se relacionar com homens violentos

30/04/2012 08h13 - Atualizado há 10 anos Publicado por: Redação
Vítimas de agressão: mulheres voltam a se relacionar com homens violentos

Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo apontam para o aumento da violência contra a mulher. Foram registrados em todo o estado, no primeiro trimestre de 2012, mais de 30 homicídios, 17 mil lesões corporais e 163 estupros. Em São Carlos, o site sobre violência contra mulher apresenta apenas dados de estupros, são 14 de janeiro a março. Segundo a delegada Denise Gobbi Szakal, responsável pela Delegacia de Defesa da Mulher, foram instaurados no mês de abril 52 inquéritos de agressão à mulher, um número considerado alta pela delegada.

Para a delegada, os motivos que geram a agressão são fúteis e poderiam ser evitados. “Ciúmes, problemas com dinheiro, drogas, álcool, tudo isso gera um discussão que muitas vezes acaba em vias de fato”.

Denise aponta para um outro dado interessante. Boa parte das mulheres que saem dos casos de violência doméstica acaba voltando a ter novos relacionamentos com homens também violentos. “Em cursos que fizemos na Academia de Polícia, curso de psicologia investigativa e violência doméstica, percebemos que a maioria das mulheres que conseguem sair da situação de violência acabam em um outro relacionamento com um homem igual ou pior ao anterior. Pode ser um problema psicológico, relações familiares e como foram tratadas pela família, os processos educacionais na família. Uma questão de estrutura familiar”, finaliza.

LEI – Com a mudança da legislação em fevereiro deste ano, as ocorrências contra a mulher que envolvam algum tipo de agressão automaticamente se transforma em inquérito e isso, segundo a delegada, aumenta o número de casos investigados pela polícia. Antes da mudança, a ocorrência só se transforma de fato em inquérito policial se a mulher representasse contra o agressor. Este fato trouxe uma nova realidade para a polícia.

“Algumas mulheres, e digo que são muitas, quando ocorre uma agressão, vêm aqui, fazem o boletim, mas passados dois, três dias, uma semana, elas retornam com os companheiros e querem retirar o inquérito. Isso não é possível, pois não há mais necessidade de representação. Toda agressão comprovada torna-se um inquérito com indiciamento do agressor. É claro que se ela quiser continuar com o companheiro, esta situação deixa a relação entre eles mais complicada”, afirmou Denise.

Porém, a delegada afirma que os números apontam para o aumento das denúncias de agressão contra as mulheres. “Hoje, grande parte denuncia e quer processar o agressor, seja marido, namorado”, disse.

AGRESSÃO – Denise disse ainda que as agressões são as mesmas que aconteciam anos atrás, porém pelo fato de a mídia expor mais os casos, parece que há novas formas de violência. O que chama a atenção é que em São Carlos as denúncias ocorrem geralmente em famílias de classe média baixa e baixa. “O grande número de denúncias ocorre na camada mais humilde da população, porém há casos também na classe alta”.

Ela informou que existem inquéritos envolvendo a classe economicamente mais privilegiada e chegam a somar cerca de 20% das denúncias de agressão. “A classe A denuncia menos, talvez por causa da vergonha que pode gerar uma exposição do caso. Temos aqui o que chamamos de cifra negra, ou seja, casos que não foram registrados”.

MEDIDA PROTETIVA – Denise também afirmou que algumas mulheres simulam a violência seja física ou psicológica para conseguir a separação e através da chamada “medida protetiva”, permanecerem na casa onde moram. “Algumas mulheres veem que é mais fácil separar e permanecer na casa como uma medida protetiva. Elas estão procurando a Defensoria e lá elas acabam falando que sofrem violência psicológica. Em vez de fazer a separação pela Defensoria, são encaminhadas aqui para fazer BO para que a separação saia pela medida protetiva. Isto é errado. Vemos que algumas mulheres nem sofreram violência e vêm aqui para poder se beneficiar de alguma forma. Não falo que é muito, nem pouco, mas isso ocorre. Há casos que elas mesmas se machucam e acusam o terceiro, mas isso há como provar”, finaliza a delegada.

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