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Quatro projetos de extensão buscam difundir a dança

06/07/2012 18h26 - Atualizado há 9 anos Publicado por: Redação
Quatro projetos de extensão buscam difundir a dança

Conseguir se expressar por meio do corpo. Esta é uma das principais características do dançarino, que busca se relacionar consigo mesmo e com os outros ao seu redor pelo movimento. Além da comunicação, o amor tem presença marcante entre os integrantes dos quatro grupos de dança da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar): o Grupo de Dança Contemporânea (GDC), a Urze Cia de Dança, o grupo de Dança Circular Sagrada Tradição e Cultura e o GiraFulô – Práticas e Pesquisa em Danças Brasileiras. Todos são coordenados pela professora Yara Aparecida Couto, do Departamento de Educação Física e Motricidade Humana (DEFMH), e são projetos de extensão da Universidade, ou seja, buscam desenvolver pesquisa, extensão e ensino.

 

Em 2003 teve início o GDC, dirigido pelo coreógrafo Francisco Silva, formado por estudantes, funcionários e docentes da Universidade e pessoas da comunidade que queriam praticar a dança contemporânea. Alguns integrantes foram convidados a fundar uma companhia de dança com dedicação mais intensa e profissional dos bailarinos e, foi assim, que três anos depois, surgiu a Urze. E, desde então, foram 11 espetáculos criados pelo grupo. “As relações humanas são a base dos espetáculos. A história de vida dos próprios bailarinos também entra na dança. São seis meses de pesquisa musical e do tema e muita leitura, e mais três ou quatro meses de ensaio. Todo o processo é criado com muito amor e dedicação por todos, que praticam nas horas livres, fins de semana e feriados para trazer o resultado de tudo isso ao público”, conta Francisco.

O coreógrafo e diretor explica que com a criação da Urze o GDC não foi extinto. “O GDC é o primeiro contato dos interessados na prática da dança contemporânea que, se tiverem interesse, prática e aptidão, podem participar da Urze”. Atualmente, 25 pessoas participam do GDC, que promove aulas de dança contemporânea, variando técnicas que passam pela dança moderna, contato–improvisação, técnica clássica, condicionamento para bailarinos, experimentação coreográfica, circo, dentre outras. A participação é aberta a todos os interessados, universitários ou não. Os pré–requisitos são o interesse pela poética do movimento e o comprometimento ao cumprimento da carga horária do projeto.

Muitos integrantes da Urze, que completa em 2012 seis anos de criação, fizeram parte do GDC desde a sua formação. Carla Bolaz é um exemplo. Ela encontrou o grupo em 2002, quando cursava Biologia na UFSCar. “E aqui estou até hoje. Trabalho em Pirassununga e venho diariamente para São Carlos para ensaiar. A dança é meu posicionamento no mundo, meu canal para entender a mim mesma e às pessoas”, comenta.

Gustavo Fataki, que já se formou na UFSCar, também vem à Universidade pelo amor à dança e à Urze. Ele entrou no curso de Imagem e Som em 2002 e saiu bailarino. “Vim estudar Imagem e Som e conheci a Urze. Me apaixonei pelo grupo e pela dança e hoje sou bailarino profissional em uma cia de dança em Taubaté”.

Este amor pela dança é vivido por todos do grupo que se emocionam com as palavras do mestre quando define o que é esta prática. “Dança já foi muita coisa pra mim e hoje é a forma que eu encontrei para representar o mundo. É minha identidade e é com ela que pego meu título de eleitor e vou votar. E é na dança contemporânea que tenho liberdade de ser eu, de carne e osso, de ser verdadeiro e autêntico”, finaliza Francisco.

Também com o propósito artístico de contribuir na formação da identidade cultural da UFSCar, difundindo novas e diferentes linguagens artísticas ligadas à dança, existe o grupo GiraFulô – Práticas e Pesquisa em Danças Brasileiras, ministrado pela professora de dança Vívian Parreira da Silva. Movimento, voz, músicas, instrumentos de percussão e objetos simbólicos ou alegóricos fazem parte de uma mesma expressão. Desta forma, este grupo se orienta pelos processos de criação tendo como base as manifestações da cultura popular brasileira. O grupo nasceu em 2006 com a proposta de pesquisar as danças brasileiras e a cultura popular. O repertório do grupo é baseado em algumas danças como cacuriá, caroço, cirandas, cocos, congada e jongo. “Hoje o Girafulô tem cerca de 10 canções de autoria própria”, conta Vívian.

Além desta atividade, o Girafulô, composto por 20 pessoas, desenvolve trabalhos em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e o Ponto de Cultura Teia das Culturas, em escolas da cidade, que buscam implementar leis que prevêem o ensino da história e cultura afro–brasileiras e indígenas. “O grupo sempre desenvolveu ações ligadas à educação, pois acreditamos que estão relacionadas à valorização e ao reconhecimento dos processos educativos presentes nas diferentes práticas culturais populares”, comenta Vívian.

Visitas a grupos que trabalham e desenvolvem atividades de valorização das culturas africana, afro–brasileira e indígena também são realizadas pelo Girafulô. Vívian conta que estas visitas são “parte fundamental dos trabalhos do grupo, pois a partir delas se pode ter contato com mestres da cultura popular”.

Nas danças de cada povo permanecem marcas, características e peculiaridades de sua cultura e tradição, que no conjunto deste conhecimento forma o que se conhece atualmente como Dança Circular Sagrada. É a manifestação da humanidade, que traz em sua raiz a dança dos povos como forma simbólica de comunhão e transcendência por meio das mais antigas linguagens de movimento, preservando em seus ritmos, gestos e movimentos, as memórias das origens humanas. Nelas estão presentes símbolos e arquétipos representados por um indivíduo ou pelo grupo.

Dança Circular Sagrada Tradição e Cultura é um outro projeto de extensão oferecido a servidores, docentes e alunos da UFSCar e também à toda a comunidade. A atividade surgiu em 2003. Geralmente de mãos dadas, os dançarinos descrevem formas variadas no espaço, sendo a formação em círculo a mais comum. “A coreografia executada repetidas vezes é o redemoinho do tempo, o ritmo cíclico de vida, morte e renascimento, de constante mudança e transformação, o que aproxima a dança circular de uma meditação em movimento”, explica Yara Aparecida Couto, que ministra a atividade, ligada ao Programa Qualidade de Vida (PQV) da UFSCar.

Durante a prática é utilizada uma metodologia de ensino onde são focalizados os movimentos, gestos e passos das Danças Circulares, por meio do estudo, da pesquisa e da apropriação da dança. Os objetivos são vivenciar o repertório das Danças Circulares Sagradas, conhecendo e refletindo sobre sua reapropriação e ressignificação; compreender a natureza e o significado do movimento circular das danças e suas implicações na dinâmica do movimento humano e sua corporeidade; e vivenciar processos pedagógicos em que a dança cria um espaço potencial educativo na experiência humana e vivência cultural.

Sob o mesmo tema, Yara ministra Atividades Curriculares de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (ACIEPE), também para docentes, funcionários, alunos e toda a comunidade.

Os grupos são abertos a todos os interessados, que precisam entrar em contato com a professora Yara pelo telefone (16) 3351–8379 ou por e–mail pelo e–mail [email protected] Os encontros do GDC são de segunda, quarta e sexta–feira, das 10 às 12 horas, no Ginasinho. O grupo Dança Circular Sagrada Tradição e Cultura, do Programa Qualidade de Vida, se encontra às terças–feiras, das 17 horas às 19h30, no Laboratório de Condicionamento Físico do DEFMH, na área Sul do campus São Carlos da UFSCar, e a Aciepe se reúne às quintas–feiras das 17 às 19 horas, na sala de atividades físicas no Núcleo de Formação de Professores. O GiraFulô – Práticas e Pesquisa em Danças Brasileiras se encontra às terças–feiras, das 19 horas às 21h30, também no Laboratório de Condicionamento Físico.

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