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O primeiro carro a gente nunca esquece

Para muito além de uma conquista material, a história do cearense David Fernandes Abreu prova que é possível mudar realidades sociais

23/09/2021 19h13 - Atualizado há 1 mês Publicado por: Redação
O primeiro carro a gente nunca esquece Fotos: Divulgação

Que valor as coisas têm para cada um? Se num primeiro momento essa pergunta soa óbvia porque a resposta automática que acende na cabeça é “depende da situação”; num segundo momento, com olhar menos vicioso e mais interessado, é possível desdobrar a questão para muito além de conquista material, seja ela alcançada com muito esforço ou pelo privilégio do presente.

Em setembro, quando retirar da concessionária o veículo recém comprado, o jovem David Fernandes Abreu sabe que estará virando a chave de um novo ciclo histórico familiar. Aos 23 anos, ele é o primeiro membro de sua família – nuclear e extensa – a possuir um carro, avanço que não chega sozinho, mas a reboque de outros degraus vencidos pelo combo esforço pessoal e oferta de oportunidades.

Morador da pequena cidade de Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza (CE), David, seu irmão e seus pais são números que engordam o censo de famílias brasileiras vivendo com limitações básicas de diferentes ordens: sócio-econômica, saúde e segurança, cultura e lazer, educação e tecnologia.

E o que fez diferença na vida dele e de vários jovens de sua cidade foi a conversa de amigos sobre o Programa Jovem Sustentável Cidadania Digital – com ensino de conteúdos do pacote office e outras ferramentas com competências socioemocionais, informações culturais e de educação ambiental -, que estava com inscrições abertas no polo que a Fundação Alphaville mantém em Eusébio. “Eu era um menino curioso com a área eletrônica e queria saber como era um computador porque não tínhamos esse equipamento em casa. Então, sempre que aparecia uma chance para eu ficar perto de um computador, eu aproveitava, como foi com o curso”, conta o hoje formando em Sistemas de Informação pelo Centro Universitário UniFanor (Faculdades do Nordeste).

Sem ainda ter ideia de todas as mudanças que viveria em sua vida pessoal, profissional e familiar, David Fernandes Abreu foi emendando uma chance na outra, um aprendizado no outro. Aos 12 anos, ele frequentou o curso no período noturno porque tinha escola regular do Ensino Médio durante o dia. Cumpriu o estudo, dedicou-se como voluntário na Fundação Alphaville e tornou-se educador na instituição que o ajudou a ter novo olhar para sua própria vida. “A parceria entre a Fundação e a Prefeitura permitiu minha contratação como educador e essa experiência foi incrível porque me trouxe o senso de responsabilidade, com a preparação das aulas, e a oportunidade de poder ajudar outros jovens com a mesma realidade que a minha”, pontua David. “Ainda hoje, poucos alunos têm acesso a um computador em casa e chegam ao curso desconhecendo até o sistema Windows, que é o básico em cursos de informática”, completou.

Riqueza subjetiva

Se de um lado, os pais de David – agricultor e dona de casa – não tinham recursos materiais para comprar um computador ou matricular o menino numa escola de informática, de outro, ele contava com o incentivo e apoio de quem, mesmo sem condições de oferecer, quer o melhor para os filhos. “Sou privilegiado nessa questão porque meus pais sempre me incentivaram a estudar”, orgulha-se, com gratidão. “Junto ao incentivo em casa, a Fundação teve importância essencial para tudo o que tenho vivido desde que fiz o curso lá. De poder estar perto de um computador até a formação universitária que estou concluindo, a passagem pela instituição foi fundamental”, avalia o agora profissional autônomo, desenvolvedor de aplicativos e sites.

O reflexo da nova maneira de se colocar na vida atingiu outros jovens de Eusébio, quando David Fernandes Abreu liderou, em 2015, a iniciativa de conseguir transporte escolar gratuito para estudantes universitários de sua cidade. “Especialmente para quem estuda à noite, em Fortaleza, era muito complicado ir e voltar da faculdade, e a conquista do ônibus, junto à Prefeitura, facilitou tanto essa questão, como a parte financeira, já que muitos jovens não tinham condições de bancar transporte pago. Ou seja, o transporte gratuito facilitou o acesso à educação”, sublinha David, cheio de consciência social.

Essa consciência, inclusive, forjou nele o mesmo olhar com o qual foi alcançado. “Como educador, tive oportunidade de viajar para fazer trabalhos com menores em situação de conflito com a lei e conheci muitas pessoas que vivem com menos que eu. Vi que, em Eusébio, temos muita sorte por termos o que temos com a Fundação. Hoje, tenho menos tempo para reclamar”, finaliza.

Antes de tornar-se autônomo, David Fernandes Abreu fez estágio na Fiocruz Ceará, trabalhando no departamento de estruturação de informática no diagnóstico de Covid-19. Atualmente, ele atende a clientes diversos, entre os quais, um na Alemanha, o que exigiu estudos à parte sobre normas digitais daquele país.

Daqui a pouco, com carro e diploma universitário na mão, David quer dar nova pisada no acelerador e colocar o pé no empreendedorismo. A ideia é abrir um restaurante, junto com a mãe, e estruturar um negócio familiar. “E, também, gostaria de desenvolver algum trabalho ou projeto com a Fundação”, revela.

Sobre a Fundação

Sediada em São Paulo, mas com atuação em 23 Estados, a Fundação Alphaville – braço social da Alphaville Urbanismo – possui 21 anos de trabalhos realizados junto a comunidades em situação de desfavorecimento social e econômico, seja em áreas próximas aos investimentos da empresa ou não. Um dos mais antigos polos de trabalho da instituição, o Estado do Ceará é o que mais recebeu investimentos da Fundação até aqui, no município de Eusébio, em atividade desde 2005.

Nesse período, mais de 3500 jovens foram atendidos pelo Programa Jovem Sustentável Cidadania Digital, de acordo com Graça Rodrigues, coordenadora de projetos sociais da instituição. “David é um exemplo que representa esses adolescentes e sua história mostra que mudanças de pensamento e realização de sonhos são possíveis”, diz a coordenadora.

O Meio Ambiente é outra área em que a Fundação Alphaville desenvolve projetos. No caso da cidade de Eusébio, a implantação do programa de coleta seletiva municipal, em parceria com a Prefeitura, não somente reordenou a forma do descarte e recolha do lixo, como ofertou nova possibilidade de geração de renda à população diretamente evolvida com este trabalho: os catadores de materiais recicláveis. “Foram três anos de implantação deste programa, que hoje caminha de forma autônoma e coleta 353 toneladas de lixo por ano, gerando empregos e dando a esse material a destinação mais correta do ponto de vista ambiental”, explica Graça Rodrigues.

Para a coordenadora, o principal diferencial do trabalho realizado pela Fundação Alphaville é o legado de desenvolvimento interdisciplinar deixado nas comunidades onde atua. “E sempre que o poder público local se coloca como parceiro da iniciativa, como é o caso de Eusébio, o investimento é potencializado e chega a um público ainda maior”, salienta.

“Histórias como as do David confirmam que estamos no caminho certo e que a missão da Fundação Alphaville tem atingido seu objetivo. Essa é apenas uma de tantas histórias de transformação social alcançadas pelo trabalho da Fundação e nos enche de estímulo para seguir a caminhada”, destaca Aline Oliveira, gerente de Sustentabilidade da Fundação.

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