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“Desafios do Brasil estão sempre ligados ao fiscal”

Aumento da inflação recente se deve aos preços internacionais das commodities e à desvalorização do real frente ao dólar

07/04/2021 07h26 - Atualizado há 2 semanas Publicado por: Redação
“Desafios do Brasil estão sempre ligados ao fiscal” Foto: Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, repetiu que os grandes desafios do Brasil estão sempre ligados ao fiscal e voltou a reforçar a necessidade de políticas que transmitam credibilidade sobre as contas públicas brasileiras. “Conseguimos quebrar a dinâmica dos juros altos no Brasil quando conseguimos mostrar ao mercado que estávamos no caminho de uma convergência fiscal. Então, eu acho que é muito sobre o fiscal”.

Mais uma vez, ele argumentou que o aumento da inflação recente no Brasil se deve ao crescimento dos preços internacionais das commodities, enquanto o real tem se desvalorizado em relação ao dólar.

“Na verdade, o preço local das commodities cresceu muito. No caso dos itens de alimentação, como soja e milho, com o aumento da demanda asiática, sobretudo na China e na Índia. No caso dos metais, há programas de recuperação em diversos países. E em relação ao petróleo, há o efeito da expectativa de um maior crescimento global”, repetiu.

Campos Neto também voltou a ligar o auxílio emergencial – encerado em dezembro do ano passado e retomado a partir desta terça-feira, 6 – à alta de preços de bens de consumo. “Transferimos quantia alta de dinheiro que se tornou consumo. Os produtos na cesta das pessoas que receberam o auxílio tiveram uma alta maior de preços”, afirmou.

Roberto Campos Neto voltou a classificar os choques inflacionários no Brasil como temporários, mas reafirmou que a autoridade monetária já enxerga a contaminação de outros núcleos inflacionários e, por isso, iniciou o atual ciclo de alta nos juros. “Entre uma reunião e outra do Copom, a projeção para a inflação de 2021 saltou de 3,4% para 5,0%. A maior parte dessa diferença foi causada pelo efeito das commodities. Começamos a ver alguma contaminação em outros núcleos e começamos o que chamamos de processo de normalização parcial, o que é sempre difícil de explicar enquanto o País ainda sofre os efeitos da pandemia”, afirmou.

Campos Neto voltou a alegar que quando o Copom baixou a Selic para 2,0% ao ano – em agosto do ano passado – o BC esperava um cenário que não chegou a se realizar, de uma retração maior da economia e uma inflação abaixo do piso da meta para 2020. “Isso nunca se realizou”.

O presidente do BC repetiu a avaliação de que o Brasil continua demandando uma política monetária estimulativa, e por isso o Copom tem chamado o novo ciclo de “normalização parcial”. Mais uma vez, ele apontou que o emprego formal está se recuperando muito rápido, mas ressaltou ainda enxergar problemas na força de trabalho informal.

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