Economia

Empresas demitem mais de 500 trabalhadores


Depois de omitir números, empresa fornece ao Sindicato dos Metalúrgicos os dados corretos sobre os cortes em suas duas plantas; LATAM corta 300 funcionários

A crise econômica atingiu em cheio em São Carlos e chegou a onda de demissões. Na última sexta-feira a fabricante de compressores Tecumseh do Brasil Ltda. dispensou na última sexta-feira, 19 de junho, 21 os trabalhadores. A informação foi obtida com total exclusividade na manhã de ontem, 24 de junho, com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Região. O presidente da entidade, Vanderlei Strano disse que a diretoria da companhia confirmou o número de cortes.

Num primeiro momento a empresa simplesmente omitiu o número de dispensas. Não forneceu nem mesmo para o Sindicato, descumprindo uma obrigação legal. A empresa alega problemas com a crise econômica causada pela Covid-19 pela redução do quadro.  

A Tecumseh do Brasil, com as dispensas, agora só tem cerca de 1.800 trabalhadores em seus quadros. Mesmo assim é uma das três gigantes do setor metalúrgico de São Carlos, juntamente com a Electrolux e na Volkswagen. Na Electrolux, que fabrica fogões e um modelo de freezer, estão afastados apenas os trabalhadores dos grupos de risco da Covid-19. Na VW existem centenas de trabalhadores em lay off, sistema no qual o trabalhador fica em casa e recebe seus salários com parte sendo paga pela empresa e parte sendo paga pelo Governo Federal.

LATAM DEMITE 300 – Outra empresa que começou a demitir em massa é a LATAM. Segundo informações de fontes da empresa, a companhia aérea cortou 300 trabalhadores de São Carlos. Apesar disso a empresa insiste em negar as demissões.

HISTÓRIA DA TECUMSEH – A Tecumseh do Brasil surgiu em São Carlos na Década de 1970, quando a empresa tinha como principal cliente a montadora de geladeiras Clímax, da Família Pereira Lopes. No final dos anos 1990 a empresa chegou a exportar para mais de 60 países nos cinco continentes e viveu um período de grande crescimento.

Em 2005 a empresa chegou ao seu ápice. No dia 31 de março daquele ano a empresa recebeu o então presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, que vivia o auge de sua popularidade. A Tecumseh, naquele dia, empregava 7.400 trabalhadores e anunciou a geração de mais de 800 empregos com uma nova linha de compressores. A empresa acumulava prêmios, chegando a ser a maior empregadora e maior geradora de impostos da região central.

Porém, o investimento nunca se concretizou. De lá para cá, nestes 15 anos, a empresa demitiu cerca de 5.600 funcionários, um recorde na cidade.

DEMISSÕES PODEM AUMENTAR – O ex-diretor regional do CIESP, Ubiraci Moreno Pires Corrêa, proprietário da empresa Prominas, vai conceder férias coletivas para seus 140 funcionários em julho.  Paro no dia 6 e só volto dia 29 de julho. Em agosto, quando voltarmos das férias coletivas ainda tenho o que produzir, mas depois disso as encomendas chegam a zero. Se não houver novas encomendas em julho, em setembro, começam as demissões”. Ele teme que os cortes cheguem a 8.000 no setor industrial.

Ubiraci revela que a situação só não é pior devido à estabilidade dos funcionários que está atrelada às linhas de crédito especiais cedidas pelo Governo Federal. “Os contratos destas linhas do governo têm letras miúdas. Elas dão estabilidade aos funcionários pelo mesmo prazo que a empresa utiliza as linhas. Existe uma estabilidade momentânea. Se não estou me enganado o limite são três meses. Depois disso o volume de demissão vai se catastrófico. Está tudo parado. Segundo a ABIMAQ, 47% das empresas que fabricam máquinas já deram férias coletivas de 30 dias.  A coisa está muito feia. A única área que não está parada é o agronegócio, que movimenta alguns setores do setor industrial”, comenta ele.  

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