Economia

Liberação do saque do FGTS ainda em 2019 alivia dívidas e impulsiona comércio


A Caixa Econômica Federal anunciou nesta semana vai concentrar em 2019 a liberação dos saques imediatos com recursos do FGTS (Fundo de Garantia de Tempo de Serviço), ante calendário prévio que ia até março de 2020. O governo espera injetar R$ 40 bilhões na economia com os saques.

Em pouco mais de 35 dias, a Caixa Econômica já pagou mais de R$ 15,9 bi para cerca de 40% dos trabalhadores (38,1 milhões).  No estado de São Paulo; 2,2 milhões de trabalhadores nascidos em fevereiro e março poderão sacar a partir do dia 25, somando mais de R$ 1 bilhão. Dos nascidos em janeiro, 271.216 trabalhadores do estado de São Paulo já sacaram R$168,6 milhões das contas.

Para o editor do site Terraço Econômico, Paulo André Silveira Júnior, a liberação do FGTS é importante, para o município porque coloca dinheiro em circulação. “Trata-se de uma medida de estímulo econômico e a expectativa é que as pessoas são estimuladas a consumir produtos e serviços ou pagar dívidas”.

O professor de economia do Departamento de Engenharia de Produção da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) Luiz Fernando Paulillo, complementa: “o Ministério da Economia prevê uma injeção equivalente a 0,35% do PIB no país. Por isso antecipou todo o repasse do FGTS para antes do natal de 2019. Isso é bom porque pega a propensão a consumir do varejo de fim de ano”.

Segundo o professor, a liberação ajuda porque o Brasil está crescendo pouco, em torno de 1% ao ano. “Colocar perto de 40 bilhões de reais no varejo (soma-se a liberação do PIS/PASEP), torna-se significativo para economia multiplica renda”, disse.

Já Silveira Júnior tem uma visão menos otimista sobre a liberação de saques do FGTS. Para ele é “um empurrãozinho” de curto prazo de efeito imediato na vida das pessoas já que o crescimento econômico é pouco significativo para o País. Contudo, a recuperação perene da economia está condicionada à agenda de reformas de médio e longo prazo. “Além da reforma da Previdência e tributária, uma maior abertura ao comércio internacional, investimentos eficientes na educação e ganhos generalizados de produtividade são fundamentais para a retomada da economia brasileira”, afirmou.

A opinião de especialistas é compartilhada por comerciantes e população

A reportagem do Primeira Página entrevistou lojistas e consumidores na região Central para entender qual a prioridade do uso do FGTS pelo consumidor.

O vendedor Daniel Ramos diz que o dinheiro do Fundo vai ajuda-lo bastante. Ele receberia apenas no ano que vem, por fazer aniversário em agosto, mas será beneficiado pela antecipação. “Vou usar metade para pagar dívidas e metade em compras no varejo”, disse.

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de endividados aumentou em setembro. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) apontou a nona alta seguida do indicador que mede o endividamento dos brasileiros: 65,1% das famílias possuem dívidas.

O comerciante não está com esperança para o uso com a liberação do FGTS. A gerente loja de calçados, Danielle Galvim vê os consumidores focados em pagar dívidas e não comprar. “Embora alguns ainda reservem um pouco do dinheiro para consumir“.

Paulillo acredita que deveria existir um movimento mais sistêmico e rotineiro de liberações para aproveitar períodos clássicos de maior demanda no varejo final, como dia das mães, dia dos pais e natal. “Nesses períodos, o gatilho de gastos ganharia com a maior propensão ao consumo final”.

Silveira Júnior concorda, mas pede cautela com o volume de liberações. ”As mudanças sendo feitas atualmente estão na direção correta, embora a magnitude dessas medidas seja um ponto a ser discutido”, finalizou.

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